Pesquisar neste blog

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ponto de vista

Ponto de Vista 01

Ponto de vista é a visão de um expectador específico sobre um fato. Quando temos mais de um expectador, temos automaticamente mais de um ponto de vista - tem um filme que mostra muito bem isto (clique aqui e veja). Ter diversos pontos de vista é muito importante para estudantes, cientistas, jornalistas e em alguns casos para pessoas normais também.

Pois bem, na sexta-feira passada, em entrevista, Wagner Ribeiro – empresário de Neymar e tantos outros jogadores - expôs seu ponto de vista sobre a não celebração da “venda” de Neymar . A entrevista é extremamente polida, principalmente se considerarmos que sob seu ponto de vista da negociação,  estavam 3,5 milhões de euros.

Esta entrevista ensina que ter ponto de vista é para quem protagoniza, ou acompanha de muito perto um fato, aos outros fica relegado o direito à opinião, palpite, apostas, etc, o que é diferente pois se baseia no que ouviu, e não no que viu ou viveu. Algum jornalista, alguém com a técnica do assunto, poderia explicar melhor como isto funciona, pois pelo visto opinião e ponto de vista não são sinônimos como eu acreditei até hoje.

 

Empresário conta por que queria vender Neymar e diz que cartola do Santos é sonhador

LUCAS REIS
DE SÃO PAULO

O empresário de futebol Wagner Ribeiro, 51, costuma ser hostilizado quando vai ao estádio. "É chato isso. Não tenho culpa, nunca vendi um jogador que não quisesse sair ou que o clube não quisesse vender", disse à Folha, em seu escritório em Moema.

Ex-empresário dos badalados Kaká e Robinho, tornou-se alvo da ira dos torcedores após intermediar transferências para a Europa. Virou vilão da torcida santista depois de insistir na venda de Neymar, 18, para o Chelsea.

"O 'vilão' é uma forma de o torcedor expressar sua insatisfação", afirmou ele.

Ex-são-paulino fanático, diz que agora torce por seus jogadores e defende o modelo de venda dos direitos dos atletas. Ribeiro afirma que, antes de agente, é um amigo dos seus clientes e critica o comportamento do presidente do Santos: "Ele agiu como um presidente-torcedor."

Folha - Quem saiu perdendo no caso Neymar?

Wagner Ribeiro - O Chelsea. Perdeu um jogador que hoje estaria jogando e seria titular. A ideia deles era formar o trio Malouda, Drogba e Neymar. Essa era a ideia do [técnico Carlo] Ancelotti. Ele seria titular, chegaria lá com status de seleção brasileira. Iria revezar com o [francês] Malouda, um na direita e outro na esquerda, trocando, igual fez na seleção com o Robinho. Era o planejamento do treinador, segundo o presidente do Chelsea.

Muitos diziam que ele, a princípio, ficaria no banco...

Eles não iriam pagar 35 milhões de euros para um jogador ficar no banco. Queriam renovar o elenco e colocar um jogador jovem. A média de idade do Chelsea é de 28 anos.

O Santos perdeu uma boa oportunidade?

Sim. É difícil que um clube pague isso por um jogador. Na Itália, por exemplo, ninguém paga isso.

E agora, que ele vale 45 milhões de euros? Mais difícil ainda?

Não adianta colocar multa alta, 45 milhões de euros, 100 milhões de euros. O que importa é quem vai comprar e quanto paga. Olha o Hernanes: a multa era de 25 milhões de euros, e foi vendido por 9 milhões de euros.

Mas você queria que ele [Neymar] fosse para o Chelsea...

A minha opinião, como profissional, era a de que ele fosse [para o Chelsea]. Lá, ele jogaria com os maiores do mundo e seria um deles. Aqui no Brasil é difícil. Mas, a partir do momento que o garoto quis ficar, eu o apoiei.

O sr. deixou de ganhar quanto com a não ida de Neymar?

Eu não ganho sobre salário de jogador, apenas percentual sobre transferência. Então não houve receita.

E essa comissão seria de quanto?

Tudo depende, mas varia de 5% a 10% do valor total do negócio.

Acha que Neymar fica no Santos até quando?

Por pelo menos mais dois anos. O momento certo de ele sair será na Olimpíada de Londres [em 2012]. Depois disso, será difícil segurá-lo.

Com que idade o senhor acha que um jogador precisa de empresário?

Aos 16 anos, alguns dias antes de se profissionalizar. Porque ele pode fazer um bom contrato e ter projeto de carreira.

Mas o Neymar está com sr. desde muito antes dos 16...

Está comigo desde os 13, quando foi a Madri comigo e ficou por 20 dias no Real Madrid. Foi o jogador mais novo com quem trabalhei.

Ele quase ficou por lá, não?

O pai dele queria, eu também. Mas o garoto não quis.

A Fifa não reconhece direitos econômicos de jogadores fatiados entre clubes e empresas, mas no Brasil isso é comum. Como o sr. vê isso?

A Fifa reconhece quando há contrato entre dois clubes, mas não entre um clube e uma empresa jurídica, que é o caso do Neymar, cujos direitos são divididos entre o Santos e o Sondas. Mas aqui no Brasil, a Lei Pelé reconhece que uma empresa possa ter o percentual econômico dos direitos de um jogador.

Isso abre brechas para que os clubes possam acionar a Justiça comum...

É discutível. Conheço histórias de clubes que tinham o contrato e não pagaram. Já existe jurisprudência. Mas, nestes casos, dizem que os contratos estavam malfeitos.

O sr. acha correto esse tipo de negociação entre clubes e empresas?

Você pega um jogador e leva de um clube a outro. É o pai da criança. A condição é que, no futuro, quem trouxe o jogador lucre com determinado percentual em uma transação. Sendo assim, é justo. E muitas vezes os clubes precisam de dinheiro. O Santos precisava, então vendeu um pedaço do Paulo Henrique Ganso para o Sondas.

Há dirigentes que levam dinheiro em negociações de atletas?

Eu já ouvi muita história, como todos já ouviram. Provas não existem.

Se os jogadores e seus parentes fossem mais instruídos, precisariam de empresário?

Sim. O empresário faz o meio termo em uma negociação, defende o jogador, já que o atrito de uma negociação é grande e pode guardar sequelas futuras.

O sr. é persona non grata em algum clube?

Já fui no Santos, na época do Robinho. E, na semana passada, tentaram de novo. No São Paulo, na época do Kaká, também tive problemas. No Palmeiras, no Corinthians e no Cruzeiro também. Mas tudo isso é passado.

Se o sr. fosse o presidente do Santos, teria vendido o Neymar?

Por 35 milhões de euros, sim. O Chelsea insistiu em pagar a multa. Qualquer clube brasileiro sonha com uma proposta de 10 milhões de euros. O Santos rejeitou proposta de 35 milhões de euros por um jogador de 18 anos. O presidente [do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro] foi um sonhador. Fez tudo como torcedor. Este dinheiro resolveria os problemas do Santos. Mas ele foi um presidente-torcedor.

“O pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas.” (Sabedoria Chinesa)

Nenhum comentário: