Ele anda meio macambúzio…

Sujeito de fala fácil, articulado, popular, imune a críticas, dono de uma trajetória de vida e profissional  invejável, é o cara, como já foi dito. Tinha tudo para ser um dos personagens mais felizes deste fim de 2010, mas quem o conhece, e muita gente o conhece, nota com facilidade que ele anda meio macambúzio. Ele teve que trabalhar muito este ano, conseguiu realizar coisas que nem Deus, que é quem as vezes ele pensa que é, imaginava, mas ele as realizou. Durante oito anos, navegou sobre as leis, fez suas próprias regras, e bailou sobre a democracia, foi senhor de seus e de todos os atos. Tanto poder, tanto prestígio, mas ele anda meio macambúzio, acho que porque ele agora está com problemas para saber quem serão seus amigos de verdade e, com quem ele poderá contar. Ele que tantas vezes se vestiu de gente normal, só para poder desfilar todo seu ego de gente superior, agora vê a vida normal chegando de verdade e, desta feita os superpoderes de outros tempos acabando. Deve ser por isto que ele anda meio macambúzio. Deve ser, vai saber…

Acho que ele começou a perceber que a falta de memória do povo que tanto o ajudou, agora será sua principal inimiga. Vai ser duro brigar para continuar vivo nesta tão seleta, de tão pouco espaço, memória.

Ele teme na verdade é que um dia alguém se refira a ele como provedor de uma “herança não muito bendita”. Parece até que alguns amigos estão já pavimentando o caminho para isto : juros em alta, inflação idem, investimentos em baixa, coalizão idem. Sei não …

Vai ser duro para ele, imaginar que seus companheiros sejam um bando de Suricatos, altruístas, zelosos em primeiro lugar dos interesses do grupo, acho que ele percebe que só ele era assim, e isto o assusta, afinal de contas são oito anos de coisas embaixo de um tapete que começa em São Bernardo e acaba perto de Cuba, em ilhas paradisíacas e portos seguros para operações financeiras de acúmulo de riqueza, segundo dizem.

Ele tem se esforçado para falar em qualquer evento, como sempre fez, falar qualquer coisa em qualquer lugar, usando qualquer linguagem, para qualquer público, sobre qualquer assunto, são derradeiros atos da última cena, as cortinas já estão balançando lá em cima, e isto chateia, “macambuzeia” qualquer um, que dirá ele, amante inveterado deste palco sem regras, ou melhor, com regras que ele cria e adapta, readapta, segundo suas maiores conveniências.

Quer saber a verdade, acho que estou vendo coisas, procurando coisas que não existem, não tem nada disto, deve ser apenas o final do ano que se aproxima.

Mas que ele anda meio sorumbático, isto ele anda…

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