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quarta-feira, 2 de março de 2011

O fim das ditaduras árabes

Em casa onde falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão…”

Não foi o petróleo, nem a religião ou a necessidade de ser livre. O mundo árabe, implode por falta de pão. A população passa por necessidades às quais não estava habituada, estas superaram o ponto de equilíbrio da tolerância social e com isto motivaram os protestos por mudanças. Mas há algo mais, que precisamos ao menos tentar entender, e sou sincero em dizer que tenho mais perguntas que respostas neste caso …  O equilíbrio de todo um pedaço do mundo se vai, e a “única” explicação é que o povo quer o fim das ditaduras ??? Sinceramente, não creio nisto. Não creio porque eu mesmo já conversei com egressos da Alemanha Oriental, que sentem falta daqueles tempos, e que dizem não ter do que se queixar de como era a vida do lado de lá da cortina de ferro. Ou seja, nossa opinião depende muito do que estamos sentindo e das privações que estamos sendo obrigados a passar.

Mas mesmo assim, ainda acho que as “necessidades sociais” não seriam suficientes para tudo “estourar” da forma como estourou… ainda há algo a ser entendido, e este algo, passa pelas outras pessoas que não estão nas ruas, nem gritando, nem pulando, nem matando e muito menos morrendo. Passa pela política, pela corrupção, pelos interesses mais escusos…  Ditadores não tem eleitores apaixonados ou apoiadores, tem seguidores, servos e interessados, são seguidos por ratos mercenários, que abandonam a causa ao menor sinal de problemas,  por isto ditadores ficam em evidência e sós tão rapidamente. Ironicamente quando o poder de vai, mudam os mercenários, mas não o modelo - veja aqui.

Ditadores não tem regras, não as seguem e não estão sujeitos a elas, vão do status de heróis ao de vilão em horas, de amados a odiados em minutos, de “cases” de liderança para “cases” de polícia… vêem, em dias, suas contas antes desejadas e bajuladas, serem bloqueadas, ficam proibidos de viajar, vêem seus mais leais parceiros desertarem, e o que podem fazer a não ser reagir como gente comum ? Nada… reagem com demagogia, com promessas, com desespero.

São pessoas normais, revestidas de um poder que lhes foi outorgado por eles mesmo, com apoios estratégicos e por uma sequência de fatos que poucos sabem explicar em detalhes, isto explica parte da coragem em derrubá-los ao menor sinal de fraqueza, a luta é sangrenta, mas sangra o sangue dos outros, nenhuma gota de sangue imperial será derramada, nem do atual nem do futuro império, apenas sangue plebeu. Quem luta para derrubar ditador é necessitado e as vezes até democrata, mas quem derruba ditador é ditador, pode apostar nisto.

Não se surpreendam quando virem emergir da verdadeira batalha, que é a pelo poder destes países, ditadores mais “bem trabalhados” do que os fora de moda depostos.

A grande lição que se pode tirar destes eventos é a de observar a descontrução de um mito, é como se as camadas de poder, virtudes e carisma fossem sendo retiradas peça por peça, fazendo surgir lenta e gradualmente a pessoa normal que vive dentro do mito, do carrasco, do ditador. É ser capaz de ver como o boneco se sustenta em pé com o ar que sopra por baixo, cair simplesmente por falta de ar…

Antes que me crucifiquem, não sou afeto de nenhuma ditadura, só não gosto deste jeito uníssono e pouco esclarecedor com que toda imprensa trata os últimos fatos …

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