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segunda-feira, 25 de abril de 2011

O artigo de FHC

FHC, diferentemente de Lula, não é um orador ‘nato’, elabora de forma muito complexa seus pontos de vista. Acho por isto suas escritas são mais comentadas que suas falas, seu último artigo comprovou isto. É um texto longo e denso, mas digno de registro, e até de cópia por seus adversários.

O texto prega, entre tantas coisas que a oposição aprenda a falar, fale ao público certo e tenha consistência e eloquência para ser entendida, como destacam os trechos abaixo, extraído do artigo :

Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo. Mas para tal precisam afirmar posições, pois, se não falam em nome de alguma causa, alguma política e alguns valores, as vozes se perdem no burburinho das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo.

Mas as vezes, até um ex-presidente comete seus atos falhos, e o de FHC foi o trecho abaixo, apesar de sabermos qual a conotação do “povão”, este texto na mão do “povinho”, vira mais discurso populista :

Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo “aparelhou”, cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as verbas publicitárias.

Eu ainda creio que ele foi visionário, trazendo uma pauta nova ao árido cenário político, mas em meio ao derretimento do “ninho” tucano em São Paulo (veja aqui, aqui e aqui), não deixa de soar como piada ele falar em papel da oposição.

Marina Silva também publicou um artigo recentemente, também tentando aglutinar a oposição (menos denso), veja aqui.

Abaixo o artigo, publicado na Revista Interesse Nacional.

O Papel da Oposição - FHC
Há muitos anos, na década de 1970, escrevi um artigo com o título acima no jornal Opinião, que pertencia à chamada imprensa “nanica”, mas era influente. Referia-me ao papel do MDB e das oposições não institucionais. Na época, me parecia ser necessário reforçar a frente única antiautoritária e eu conclamava as esquerdas não armadas, sobretudo as universitárias, a se unirem com um objetivo claro: apoiar a luta do MDB no Congresso e mobilizar a sociedade pela democracia. Só dez anos depois a sociedade passou a atuar mais diretamente em favor dos objetivos pregados pela oposição, aos quais se somaram também palavras de ordem econômicas, como o fim do “arrocho” salarial. No entretempo, vivia-se no embalo do crescimento econômico e da aceitação popular dos generais presidentes, sendo que o mais criticado pelas oposições, em função do aumento de práticas repressivas, o general Médici, foi o mais popular: 75% de aprovação.

Não obstante, não desanimávamos. Graças à persistência de algumas vozes, como a de Ulisses Guimarães, às inquietações sociais manifestadas pelas greves do final da década e ao aproveitamento pelos opositores de toda brecha que os atropelos do exercício do governo, ou as dificuldades da economia proporcionaram (como as crises do petróleo, o aumento da dívida externa e a inflação), as oposições não calavam. Em 1974, o MDB até alcançou expressiva vitória eleitoral em pleno regime autoritário. Por que escrevo isso novamente, 35 anos depois?

Para recordar que cabe às oposições, como é óbvio e quase ridículo de escrever, se oporem ao governo. Mas para tal precisam afirmar posições, pois, se não falam em nome de alguma causa, alguma política e alguns valores, as vozes se perdem no burburinho das maledicências diárias sem chegar aos ouvidos do povo. Todas as vozes se confundem e não faltará quem diga – pois dizem mesmo sem ser certo – que todos, governo e oposição, são farinhas do mesmo saco, no fundo “políticos”. E o que se pode esperar dos políticos, pensa o povo, senão a busca de vantagens pessoais, quando não clientelismo e corrupção?

Veja na íntegra aqui.

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