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terça-feira, 31 de maio de 2011

Cannabis… O Editorial da Rede Globo

Há uns dez anos atrás não seria necessário trazer este tema para um blog. Pois por ele ter vindo a público no Fantástico do domingo, era mais do que suficiente para que ele fosse ‘assunto nacional’. FHC, como sabemos é um ‘pensador’, articulador… e como tal tem lá suas opiniões.

A discussão sobre a legalização das drogas suscita tantas linhas de argumentação distintas, que só isto já é suficiente para questionarmos qualquer corrente mais ‘radical’ sobre o tema.

Sendo assim, pelo bem da verdade e do esclarecimento, decidi trazer um contraponto a altura para fazer pensar sobre a nova empreitada de FHC.

Desta forma, trouxe um post de Reinaldo Azevedo que comenta e contrapõe a corrente “Quebrar o Tabu”, concordei com ele que comenta que a Globo e FHC levaram ao ar um editorial, uma opinião e não uma matéria ampla sobre o tema.

Ao final do texto, anexo o vídeo do Fantástico.

A maconha no Fantástico: a reportagem dos 12 contra 1 e os supostos 57%

Por : Reinaldo Azevedo

Leitores estavam me perguntando se eu tinha visto a reportagem do Fantástico de ontem sobre a descriminação da maconha e sobre o filme “Quebrando o Tabu”. Não! Vi há pouco no site do programa. O vídeo segue no pé deste post. Após a apresentação da reportagem, 57% dos telespectadores opinaram numa pesquisa instantânea que o consumo da droga deveria ser “permitido e regulamentado” — é o que está na página.

Sós 57%? A edição da reportagem é tão escancaradamente favorável à “regulamentação” que esse resultado deve ser visto como “rejeição” à tese!.

Começa com a polícia malvada batendo cassetete em seus escudos e avançando contra os pobrezinhos favoráveis à “liberdade de expressão”, que desafiavam uma ordem judicial. Polícia feia! Contestando a força repressora, a fala de um jornalista. Por que não?

Dão seu testemunho a favor da “regulamentação”, o novo vocábulo para o assunto que o Fantástico decidiu lançar (nota: regulamentado já está), as seguinte personalidades:
- Deputado Paulo Teixeira (PT-SP)_;
- FHC;
- Fernando Gronstein (o diretor do filme);
- o médico Elisaldo Carlini, apresentado como grande especialista;
- ministro da Saúde de Portugal, segundo quem a descriminação em Portugal fez baixar o consumo de drogas;
- o escritor Paulo Coelho;
- com imagens do filme, ficamos sabendo que comungam da tese os ex-presidentes Ernesto Zedillo (México), César Gavíria (Colômbia), Bill Clinton (EUA) e Jimmy Carter (EUA) e Drauzio Varella;
- e, bem, dada a condução do programa, podem considerar a repórter Sônia Bridi.

Contaram? Doze pessoas.

E aí o professor Ronaldo Laranjeira, profundo conhecedor da área, foi chamado para fazer o contraponto, para ser o “outro lado”, o que conferiria “isenção” à reportagem. Lamento! Se era uma peça do show da vida, tudo bem! Se era jornalismo, foi um péssimo momento! Laranjeira foi feito de bobo, e isso chega a ser desrespeitoso.

O texto de Sônia faz o elenco apenas dos dados que interessam à tese da descriminação. A reportagem é um queijo suíço. Pra começo de conversa, não se informa que o que está em debate é a descriminação de TODAS AS DROGAS, não apenas da maconha, única hipótese que, em tese ao menos, o gatilho da bandidagem poderia ser  desativado. É uma tese besta, mas até a besteira tem de ter alguma lógica para ser verossímil ao menos.

Ouve-se a voz do ministro da Saúde de Portugal a afirmar (veja que luso esse meu infinitivo…) que, com a descriminação do consumo, os jovens passaram a consumir menos drogas ilícitas. Pode até ser, mas lhe caberia explicar, e não há lógica possível, por que uma coisa levou à outra. A jabuticaba é exclusiva do Brasil; aquele tipo de relação causal pode ser tipicamente portuguesa. Se caiu, deve haver outro fator que explique, a menos que partamos do princípio de que o proibido, com efeito, é mais gostoso… Isso não é sério.

FHC relata experiências da Holanda, Portugal e tal e depois diz:
“Eu não estou pregando isso para o Brasil, porque a situação é diferente, o nível de cultura, riqueza e violência é diferente. Cada país tem que buscar seu caminho. É isso que eu acho fundamental. Quebrar o tabu, começar a discutir e ver o que nós fazemos com a droga”.

“Quebrando o tabu” é o nome do filme. Que tabu? Não há tabu nenhum! Essa é a abordagem que interessa ao diretor do filme, que já é um sucesso de crítica antes mesmo de vir a público. Perguntem ao professor Laranjeira. Ele dispõe dos dados necessários porque é um especialista no assunto, um estudioso da área e conhece o tratamento clínico.

Mas vejo que já comecei a argumentar. O ponto não é esse. Aqueles 57% que responderam a enquete do Fantástico não significam nada. Se os outros 43% disseram “não”, fico com esse dado como evidência do repúdio que a tese desperta. De tal sorte a reportagem tenta induzir o telespectador que o que quer que venha depois como interatividade está inteiramente viciado. Sem contar que a turma da maconha é organizada. Pais e mães de família têm mais o que fazer.

No próximo post, dou uma dica a especialistas quando forem convidados a dar uma opinião sobre assuntos que são quase consensuais na imprensa, mas não na sociedade.

PS - Não sou simpático a plebiscitos, como sabem. Mas estou pensando em sugerir um sobre drogas. A turma favorável à descriminação terá direito de ir à TV defender seu ponto de vista, e os que são contrários também. Da forma como andam a democracia e a isenção jornalística, é a única chance de o país ter o direito ao contraditório ao menos. Segue a matéria do Fantástico.  E faço um PS2 depois dele.

PS2 - “E você, Reinaldo, não induziu os seus leitores a ver com olhos críticos a reportagem do Fantástico?” Eu dou opinião, todo mundo sabe. Não chamo de “reportagem” o que faço aqui. Se a Globo quiser fazer um editorial a favor da descriminação das drogas, tem o direito de fazê-lo, deixando claro que se trata de um editorial. E não exibo enquete como tendência de opinião pública.

Por Reinaldo Azevedo

2 comentários:

Blog do Robão disse...

Chega a ser engraçado o jeito que brincam com a matemática. Torna-se o consumo de maconha lícito e obviamente o número de consumidores de drogas ilícitas diminuirá drasticamente. Esquecem-se de dizer entretando que o número de dependentes quimicos (e a maconha é só a porta de entrada para drogas mais pesadas) aumenta na mesma proporção.
As informações sobre Portugal são incorretas. Tanto lá como cá, os politicos têem dificuldades de admitir que uma política púclica fracassou. O que se vê nas ruas da capital lusitana, são jovem drogados, noiados e alienados.
Bem, em um país que não se respeita professores, transformar isso aqui numa grande roda de maconha não será grande surpresa. Assim será muito mais fácil manter o controle sobre a "sociedade".

Dalbi disse...

Robão, excelente seu comentário. Acho que FHC bateu na porta errada para 'aparecer'.