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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Certo e errado…

Lá, assim como cá, nada como um ‘acontecimento novo’ para abafar o ‘acontecimento velho’. A morte da Amy acabou sendo, ou quase sendo, a pá de cal no assunto dos Grampos Telefônicos. Assunto este que eu sinceramente não me detive em estudar a fundo, pelos motivos que tento expor neste post ...

Éticos x Lícitos

Grampos telefônicos são artifícios ilegais, aéticos e amorais… O limite entre ‘inteligência competitiva’ e ilegalidade é muito tênue. Talvez a questão ética se dê por ser nestes casos recentes, um artifício para vender jornal, ou talvez fosse um problema maior caso as notícias fossem mentiras. Mas não, são verdades, obtidas de forma ‘ilegal’, mas verdades. Se pensarmos que todos os telefones nasceram grampeados (lembremos das antigas telefonistas..), que todas as correspondências podem ser violadas, que todos os nossos emails podem e em alguns casos sabidamente são lidos, que o Iphone e o Galaxy memorizam via GPS todos os lugares onde estiveram, e por aí vai, qual seria de fato a relevância ‘ética´do grampo ? Não sou conhecedor da doutrina jornalística, mas não tenho dúvidas de que um furo obtido com uma ‘exclusiva’ é muito mais bonito que um furo obtido via ‘grampo’. É como se o grampos fosse o gol com ajuda da mão do Maradona, do Henry e do Tulio (que lhe rende até hoje contrato de publicidade), não são certos, mas foram gol.

O caso dos grampos parece nos fazer crer que saber de um delito confesso, porém sem autorização do autor, é pior do que cometê-lo. No meu modo de ver, os grampos estão por toda parte, na própria imprensa, recentemente vimos na TV um grampo, um grampo videofônico, do trágico incidente do ‘Porsche’, uma filmagem não autoriazada... Sendo assim, todas as matérias filmadas com câmera escondida, também seriam grampo ?

Não quero fazer apologia ao aético, mas não podemos aceitar esta exacerbação do feito, grampos são execráveis, sejam eles de telefone, emails, facebooks, etc, feitos via computadores, celulares, camêras, etc, mas não são mais execráveis do que muitas das coisas que trazem a tona. 

Até o Vaticano se pronunciou, e quando o Vaticano se posiciona é o mesmo que quando presidentes vem a público dizer que este ou aquele membro da equipe está prestigiado, é o prefácio da sua saída (e isto vale para empresas, governos e times de futebol em geral), com o Vaticano não é diferente quando eles decidem se posicionar é porque algo vai acontecer :

Para o Vaticano, "o direito à informação deve se harmonizar com os outros direitos humanos, de modo que um não anule os outros". "O mais elementar senso moral indica que o fim não justifica jamais os meios e que não há áreas isentas ou dispensadas da ética", defende o editorial.

Sábio, como sempre, mas não me convenceu plenamente.

A discussão é longa, o repórter que denunciou os grampos pagou com a vida, não se sabe se pela justiça dos homens ou pela divina, mas pagou (veja aqui), a principal executiva das organizações Murdoch já assumiu que usava grampos (veja aqui), Murdoch assim como nosso ex-Presidente disse que não sabia de nada (veja aqui), e que também por isto não deixará a liderança de seus negócios (veja aqui). E por fim, foi vítima do tratamento público de maior desagravo que pode haver, um torta na cara (veja aqui). Dá quase para afirmar que tudo que precisava acontecer, aconteceu.

Então como encerrar esta celeuma ? Eu tenho uma sugestão : Talvez coubesse a criação de um selo para a imprensa, como temos para vários produtos, algo do tipo ‘100% Grampo Free’, ou ‘Esta publicação contém grampos’, e deixar que o consumidor decida que tipo de informação quer pagar para receber. É isto mesmo, a ética ou a maldade não está na língua de quem fala, mas no ouvido de que escuta… e o consumidor não terá dificuldades em escolher. Entenda como quiser…

Aos grampeados e grampeáveis, ou seja, todos cidadãos do mundo, saibam que telefones, emails, cartas, reuniões, fotos, sms’s, viagens, reservas em hotel, cartões de crédito, contas bancárias, perfis do facebook, etc, são ouvidos, lidos e acessados, conferidos, sempre que ‘necessário’ e sem o menor escrúpulo.

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