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sexta-feira, 29 de julho de 2011

O sonho impossível…

Há os que imputam a culpa pela ‘desigualdade’ ou ‘problema de distribuição de renda’ ao capitalismo. Para mim, este problema surgiu desde que inventaram o trabalho. Quando o homem descobriu que nem tudo era prazer, que haveria também uma porção da vida que teria que ser gasta, pensando, agindo, estudando, trabalhando, a partir deste momento surgiu a desigualdade.

O Brasil é cantado em verso e prosa como o país da desigualdade, e que deveríamos sempre mirar as grandes economias como exemplo de como distribuem renda. Pois é, nóa não conseguimos chegar ao nível das grandes economias, e ao invés disto, elas chegaram ao nosso nível.

Veja a matéria abaixo …

O galope da desigualdade

Por Clovis Rossi

Enquanto os republicanos teimam em dançar na beira do abismo, na negociação sobre a elevação da dívida norte-americana, sem a qual o país quebra, o site Huffington Post divulga análise estarrecedora sobre a desigualdade nos Estados Unidos: a diferença de renda entre os brancos e as minorias negra e hispânica atingiu o mais alto nível em 27 anos ou seja desde que se fazem pesquisas do gênero.

A riqueza média dos lares brancos em 2009 era de US$ 113.149 contra apenas US$ 6.325 para os hispânicos e US$ 5.677 para os negros. Em reais ao câmbio do dia, dá respectivamente R$ 173.344, R$ 9.689 e R$ 8.697, se alguém quiser fazer comparações com o Brasil, sempre complicadas porque o poder de compra é diferente em cada país.
Significa, grosso modo, que cada casa de brancos é 18 vezes mais rica do que a similar hispânica e 20 vezes mais que a negra.

A análise compara esses números com os de 1995, quando a diferença entre brancos e as duas minorias era de apenas 7 para 1. O ano de 1995 marca o momento de expansão econômica que içou as minorias para um novo patamar de renda.

O aumento da desigualdade é atribuído aos diferentes efeitos da crise econômica: com a recuperação da bolsa de valores e de outros ativos financeiros, os brancos, que têm recursos para investir, saíram do buraco mais facilmente do que os dois outros grupos.

Os hispânicos foram vítimas da crise imobiliária, setor em que estiveram maciçamente empregados. Além disso, como o 'sonho americano' atrás do qual vieram inclui a compra de casa, foi o que fizeram. Aí, estourou a bolha imobiliária e eles ficaram encalacrados com dívidas que, muitas vezes, superam o valor do imóvel.

Já os negros são mais afetados pelo desemprego.

Os dados são eloquentes por si só, mas vale a pena introduzir dois elementos, um local e outro brasileiro.

O local: se os republicanos ganharem a queda de braço com Obama e o ajuste fiscal indispensável ficar excessivamente focado em corte de gastos, as minorias serão de novo prejudicadas. Tanto que as associações que representam os negros estão implorando para que Obama resista aos cortes na assistência habitacional e em programas de seguridade social. Ceder significaria atingir desproporcionalmente áreas urbanas com elevado desemprego e pobreza. Aliás, a taxa de pobreza está em 14,3%, com um recorde de 50 anos no registro de pobreza mesmo entre os que trabalham.

Sobre o Brasil: vale sempre prestar atenção ao fato de que TODAS as medições sobre queda de desigualdade por aqui levam em conta apenas a renda do trabalho, não o conjunto de rendas. Ou seja, pode ter caído, como dizem as pesquisas, a diferença entre assalariados mas não caiu (provavelmente aumentou) a diferença entre a maioria que vive apenas de salário (ou de benefícios sociais) e a minoria que vive de outras rendas (lucro, aluguéis, juros etc).

Portanto, quando você ler que caiu a desigualdade no Brasil, saiba que se trata apenas da desigualdade entre salários não o desnível global entre ricos e pobres.

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