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terça-feira, 2 de agosto de 2011

A obesidade mental…

O humano que vai viver 150 anos já nasceu. Deste fato, derivam, ao menos para mim, várias questões, e gostaria de explorá-las neste post.

O assunto emergiu de um texto enviado pelo Kaio Barbosa. Texto este que trazia uma crítica ao excesso de superficialismo com que tratamos os temas atualmente. Ok, e como estes dois assuntos, o do texto do Kaio reproduzido na íntegra ao final do post) e o humano de 150 anos se conectam ? 

A superficialidade bem descrita, e fortemente criticada pelo texto do Prof. Andrew Oitke apresenta-se como um mecanismo de defesa para uma quantidade exageradamente grande de informações a que somos expostos (tema já tratado aqui no blog no post Informadose de overmação…).

O bombardeio de informações, nos faz superficiais, pois é a forma que nosso cérebro encontrou para ‘viver’ esta era da informação, saiba de tudo, pouco mas de tudo, esqueça rápido, crie mais rápido ainda, não perca tempo com argumentos, mude rapidamente, não queira ser coerente, divulgue antes que alguém o faça, divulgue antes que mude de opinião,  não tenha vergonha de gostar de algo, e não se preocupe com o que pensam, pois todos são assim. Assim é a relação da geração internet com a informação e com a comunicação. Esta forma de ‘relacionamento’ com a informação já é um fato, e é um fenônemo já instaurado e sendo vivido. O problema é quando você coloca este fenônemo de comportamento na mesma geração que viverá 150 anos. Imagine uma geração inteira que lida com as emoções da mesma forma com que lida com as informações, imagine uma geração que foi programada para uma corrida de 100 m e que terá que percorrer uma maratona.

Sempre achei que a saúde mental será mais desafiadora que a saúde ‘do resto corpo’ para o homem de 150 anos. Certamente o conhecimento humano superará esta barreira também, mas enquanto isto não acontecer, vai saber….

Abaixo o texto enviado pelo Kaio.

OBESIDADE MENTAL

Significado de sensaboria: s. f. Fam. Ato ou acontecimento desinteressante,sem atrativos; insipidez.

Prof. Andrew Oitke

O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
O professor Andrew Oitke publicou o seu polemico livro "Mental Obesity",que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.

Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses."
Segundo o autor, a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.

Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.

Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação. O problema central está na família e na escola.

Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.

Com uma "alimentação intelectual" tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção... é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.
Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: "O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular."
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante.

Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais. Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.

Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.

Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.

Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam por que.

Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.

A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil... paradoxal ou doentia.

Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.

Sensaboria: pra quem, como eu, não sabia o significado. Ato ou acontecimento desinteressante, sem atrativos; insipidez.
Não se trata de uma decadência, uma "idade das trevas" ou o fim da civilização, como tantos apregoam.

É só uma questão de obesidade.

O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.

O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa, sobretudo, de "Dieta Mental."

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