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domingo, 18 de setembro de 2011

O jogo ainda não acabou…

Segunda vez que trago o assunto Etanol em menos de 10 dias,, recentemente postei aqui que o Etanol era o menino chegando a maturidade, e desta feita descobrindo que a vida as vezes se pintava de cores que ele não esperava ver (veja o post “O garoto cresceu e o mundo ficou mais complicado”). E o mundo não parou de se complicar ainda mais desde então, de salvação do mundo a vilão da balança comercial, pois estaria “obrigando” a Petrobrás a importar mais gasolina. De bandeira da neo-liderança brasileira no mundo, a candido a fiasco. Enfim, vida dura. Acho sinceramente que não é uma coisa e nem outra… Como bem escreveu Rui Daher parafraseando Mané Garrincha, texto que trago abaixo, talvez tenha só faltado combinar com o adversário …

Para sermos educados, digamos que, de agora em diante, danou. Pelo menos pelos próximos quatro anos, tempo que levarão as novas unidades fabricantes de álcool para iniciarem sua produção. Isso, caso os investimentos realmente prosperem, e não se acovardem como o fizeram após a crise 2007/08, diante de uma pauta midiática que voltou a tocar as trombetas da desgraça.

Desde 1999, o setor está livre de regulamentação governamental. A moda na época apontava políticas econômicas neoliberais, onde os agentes do mercado conversariam entre si e decidiriam o resultado do jogo. Como Garrincha supunha que Feola tivesse feito.

Combinando com o adversário

Por : Rui Daher - Terra

Ficou famosa uma história que teria ocorrido na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, a primeira vencida pela seleção do Brasil. Personagens, o genial ponta-direita, Garrincha, e o técnico, Vicente Feola. Após teorizar longamente sobre como o time deveria fazer para sair da defesa e chegar ao gol soviético, Feola pergunta se todos entenderam e ouve do jogador: "Só uma dúvida. O senhor combinou isso tudo com os russos?"

Genialidades e bonomias à parte, isso é o que parece acontecer com a política nacional para os combustíveis. Tudo estava idealmente preparado para dar certo. Se tivesse sido combinado com os adversários.

Ao retomar com força a produção de etanol, que ficara em segundo plano por longo período, após o lançamento do Proálcool na década de 1970, o Brasil diminuiria sua dependência de combustíveis fósseis, alcançaria a autossuficiência em petróleo, manteria uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, e cederia flexibilidade e fôlego ao setor sucroalcooleiro, antes dependente dos humores das cotações internacionais do açúcar, da produção da Índia, dos adoçantes artificiais.

Todos, então, seriam felizes. A produção de cana-de-açúcar duplicaria em dez anos, avançando sobre áreas de pastagens e de outras culturas. Conforme a tradição do petróleo, a produção de etanol se concentraria nas mãos de grandes grupos empresariais. A indústria automobilística avançaria tecnologicamente no sentido dos motores bicombustíveis, e a moçada verde e anil, que se tornaria proprietária de 85% de carros flex, poderia optar pelo combustível de melhor custo-benefício.

Tudo isso, de fato, aconteceu. Até aqui.

Digamos que foi o clima das duas últimas safras - primeiro, muita chuva; depois, muita seca - que fez cair 30% a oferta de álcool hidratado. Alertemos para a interrupção dos investimentos nos anos pós-crise econômica mundial. Acusemos a alta nas cotações internacionais do açúcar, que redirecionou o destino de nossa produção ao mercado externo para compensar a dramática queda nas colheitas da Índia.

Tudo isso, também, aconteceu. E agora?

No mês passado, o preço médio do litro de álcool foi de R$ 2,01 e o da gasolina de R$ 2,73. Nesta semana, postos em São Paulo já estão cobrando R$ 2,10 pelo litro do álcool enquanto a gasolina se mantém estável. São níveis que inviabilizam o "teorema dos 70%", ainda mais por precederem o período de entressafra, quando os preços do etanol se aproximam ainda mais da gasolina.

Com isso, os proprietários de veículos bicombustíveis, craques nos mistérios da matemática e, com razão, mais protetores de seus bolsos do que do meio ambiente, não vacilam ao optar pelo combustível fóssil na hora de encherem o tanque de seus carros.

Resultado: no acumulado de 2011, crescimento de 16% nas vendas de gasolina e queda de 24% nas de etanol, o que obriga a Petrobras aumentar suas importações.

Tudo isso está acontecendo, mas e de agora em diante?

Para sermos educados, digamos que, de agora em diante, danou. Pelo menos pelos próximos quatro anos, tempo que levarão as novas unidades fabricantes de álcool para iniciarem sua produção. Isso, caso os investimentos realmente prosperem, e não se acovardem como o fizeram após a crise 2007/08, diante de uma pauta midiática que voltou a tocar as trombetas da desgraça.

Desde 1999, o setor está livre de regulamentação governamental. A moda na época apontava políticas econômicas neoliberais, onde os agentes do mercado conversariam entre si e decidiriam o resultado do jogo. Como Garrincha supunha que Feola tivesse feito.

Link - http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5345578-EI12666,00-Combinando+com+o+adversario.html

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