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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Era o vento…

A sessão temperança estava meio parada, volta com este texto, eu gostei.

Ele se manifestara na forma de pessoas que são intensamente mentais e interessadas em novas e espetaculares teorias. O mundo das idéias, longe de ser uma abstração, era mais do que real para ele. Este "sopro" do Ar que areja a mente e a escancara, deixando a pessoa aberta para o ponto de vista contrário, para o que nunca foi antes imaginado, para aquilo que ainda será ou que poderia ser. Mas não para o que "é". A realidade tangível aborrecia-o.

De alma grandiosa, no sentido de que sua consciência se concentra nas infinitas possibilidades das coisas. Sua visão sempre foi além do ordinário, além do conceitual, daí se dizer que ele era da classe dos inventores, dos desbravadores, dos polemistas que permitem a finalização das caretices desgastadas.

Tinha o "dom da visão": ele "via" o que faria sucesso no futuro, "farejava" o que ainda seria moda. Sua mente esteve sintonizada telepaticamente com os códigos mentais que ainda estão sendo planejados. Ele se adianta e os "capta".

O seu lado negativo, sim ele os tinha, dizia respeito ao fato deste ser um tipo excessivamente teórico, que muitas vezes têm ótimas idéias mas que não se toca que elas eram (ao menos temporariamente) irrealizáveis na prática. Precisava aprender é que nem todos estão preparados para aceitar a "incrível visão" que ele tinha, ainda que esta visão tenha sido realmente incrível, é possível que só venha a ser aceita pelas outras pessoas após um tempo considerável. No processo, causa balbúrdia.

Muito voltado para a humanidade, mas com dificuldades concretas no que diz respeito a lidar com gente de verdade. A teoria das relações humanas agradava-o muito, mas a realidade prática do contato interpessoal se revelava difícil, constantemente acusado de "frio" ainda que não se perceba assim.

“Eu desconstruo”, logo existo.

Foi uma vida lutando contra o vento, o vento ora força motriz, ora força de resistência. Quantas vezes quase desistiu, cansado, de tanta energia que gastava ajeitando suas velas, controlando seu leme, tentando dar uma volta no vento que teimava em soprar para o lado errado. Ele sabia para onde deveria ir, tinha seus planos, sonhava com a viagem, acertava as velas e o vento não vinha a contento, ou vinha cruzado, sem rumo…

Que cansativo foi viver assim, uma vida de luta contra o invisível. A força do vento, terminaria seus dias odiando a força do vento, como se esta fosse a verdadeira e talvez única explicação para várias viagens não concluídas, vários portos não atingidos, vários destinos não conhecidos, várias encomendas não entregues. Quanta coisa não foi dita, quanto sentimento não foi sentido, quanta vida não foi vivida, porque o vento não ajudou. Era hábil com as velas, com o leme, com a navegação, apenas nunca conseguira domar o vento.

Então veio o entendimento, como que num sopro dividno, ele enxergou tudo. Viu quanta batalha havia travado desenecessariamente, aprumando o barco, ajeitando as velas… enquanto isto a verdade, escondida, não era percebida.

E foi assim que ele percebeu, que nunca foi o barco, o capitão, ou as velas, desde sempre ele fora o vento… Enxergou tudo, enxergou que o poder que ele tinha nas mãoes fazia dele o vento, e não a vela, e não o leme. O tempo todo ele foi o vento, e lutou contra si mesmo… Parecia tarde, uma vida de lutas havia sido vivida… porém, ele, sempre soube que nunca seria tarde.

Um comentário:

Marcos da Cunha Ribeiro disse...

Dalbi,

Gostei muito. Esta sessão temperança me aprece muito boa. MAs de quem é o texto ? É seu ? Coisa linda e incrível pois demonstra angustias bem humanas e ainda que sejamos vela ou lem de vez em quando , nossa incompreensão de sermos vento e portanto sem porto , sem ancoradouro , quase que sem destino . Qual o destino do vento?
Mas o vento é energia e é movimento e talvez por isso existimos !
Abração
Marcos da Cunha Ribeiro