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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quanto mais melhor. Claro !

No dia em que a GM anunciou mais um PDV para sua planta em SJCampos-SP, decidi apenas contrapor com a matéria sobre a remessa recorde de lucros realizada pelas montadoras de veículos este ano. O PDV é real, mas com certeza não é por problemas de caixa. Veja a matéria sobre a GM - GM abre PDV.

Outros posts neste blog sobre o tema : Botara o dedo na ferida, Botara o dedo na ferida – A réplica e Comparação preço de carros entra Brasil e EUA.

Veja abaixo a matéria sobre a remessa de lucros…

Multinacionais remetem US$ 4 bilhões às matrizes. Elas precisam ser protegidas ?
Novo regime automotivo do plano Brasil Maior ficou só no IPI maior

OBSERVATÓRIO AUTOMOTIVO – PEDRO KUTNEY
Nos primeiros oito meses deste ano, os fabricantes de veículos instalados no Brasil mandaram para o exterior US$ 4 bilhões a título de pagamento de lucros e dividendos às suas controladoras. O valor é recorde, 33% maior do que o observado no mesmo período de 2010 e quase supera o total do ano passado inteiro (US$ 4,1 bilhões). Com essa cifra, a indústria automobilística é atualmente o setor econômico que mais remete lucros e dividendos para fora do País, sendo responsável por 21,2% das remessas registradas de janeiro a agosto. Nada contra o lucro, empresas sustentáveis têm de ser lucrativas. Contudo, é de se perguntar: se as montadoras multinacionais são tão rentáveis aqui, como fica comprovado pelo desempenho dos números acima, por que precisam do protecionismo do governo?

A resposta só pode ser: para lucrar mais ou, no mínimo, continuar lucrando como agora. Até aí nada de mais, é do jogo de qualquer regime capitalista. O problema é precisar lançar mão de escritórios de lobby em Brasília – em vez de usar os centros de engenharia para desenvolver produtos melhores e mais competitivos – para seguir ganhando sem competição. Ao impor, em 15 de setembro passado, um escandaloso aumento de 30 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicado a veículos importados de fora do Mercosul e México, ou que não tenham conteúdo mínimo de 65% de componentes nacionais, o governo brasileiro chancelou a criação de um oligopólio, algo banido da maioria das economias desenvolvidas do mundo, justamente onde ficam as sedes das corporações que se beneficiam desse mercado cativo.
O argumento do governo, de que o IPI maior protege a indústria nacional de uma suposta invasão de veículos importados no País, parece incoerente diante do fato de que simplesmente não existe “indústria nacional” nesse setor, dominado desde sempre por multinacionais que, com suas gordas remessas de lucros, ajudam a aprofundar o déficit da conta corrente externa brasileira. Além disso, as montadoras estão entre as maiores importadoras do Brasil, pois são responsáveis por trazer mais de 80% dos veículos estrangeiros vendidos aqui atualmente. Também compram muitos componentes e insumos de fora.
As duas coisas juntas (muitos veículos e alguns componentes importados) colocam a indústria automobilística na lista elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento dos 40 maiores importadores do Brasil. Entre eles, 14 são montadoras com fábricas no País, que juntas, de janeiro a agosto deste ano, gastaram a impressionante soma de US$ 12 bilhões com importações próprias, quase o total das importações de veículos, de US$ 14,1 bilhões no mesmo período. Somente as compras externas diretas das quatro maiores fabricantes (pela ordem dos gastos, Volkswagen, Ford, Fiat e General Motors) totalizam quase US$ 4 bilhões. De quais importações, então, o governo brasileiro precisa proteger o mercado doméstico?

Impostos altos e lucros fartos depenam os carros
O desmedido apetite do governo por arrecadar impostos e a obrigação dos fabricantes de gerar altos lucros para as matrizes são os principais ingredientes do pior carro mais caro do mundo: o carro made in Brazil, depenado de tecnologias de uso comum em diversos países, para poder acomodar em mais de 50% de seu preço fartos impostos e lucros. Como nenhum dos dois lados cede, o setor automotivo nacional continua preso ao círculo vicioso em que está metido desde a sua instalação no Brasil, há mais de 50 anos, com veículos fabricados aqui quase sempre ultrapassados e caros demais pelo que oferecem.
Alguns discursos de presidentes e altos executivos da indústria dizem que isso vai mudar em breve, porque o Brasil teria finalmente entrado na rota de globalização tecnológica. Mas então, se isso é verdade, por que precisam de proteção? E esse protecionismo, diga-se, é contra modelos apenas um pouco mais bem equipados do que os nacionais, caso de chineses e alguns coreanos, que já vêm com confortos como ar-condicionado e direção assistida por preços iguais ou inferiores ao de equivalentes feitos em fábricas brasileiras. Ou seja, não há nada de muito mais que a dita indústria nacional não possa fazer. A questão, portanto, é o custo maior para se fazer isso aqui – e aí entra-se de novo no problema dos impostos e lucros excessivos.
Por óbvio, chega-se à conclusão de que todo o discurso da competitividade internacional é correto, mas não vale uma moeda de real furado – ainda que supervalorizado. Isso porque o protecionismo ora concedido aos fabricantes instalados no Brasil consolida o atraso, acomoda empresas em torno do mais do mesmo, não incentiva ninguém a projetar produtos vendáveis em qualquer parte do mundo. O carro nacional, portanto, está agora protegido artificialmente em seu próprio território, não tem bons exemplos para evoluir, nem ganhou um milímetro sequer de competitividade internacional.
Para justificar a repetição de erros já cometidos tantas vezes no passado nem tão distante assim, o governo informa que as medidas restritivas às importações são apenas emergenciais (em princípio duram só até 31 de dezembro de 2012) – e que depois virá um novo regime automotivo de fato, com incentivos à inovação e evolução tecnológica. Mas, de qual “emergência” está se falando? Das remessas de lucros relatadas no começo desta coluna? Ou da necessidade de fazer essa indústria evoluir de fato no País, com produtos melhores?
Teria sido mais produtivo pular o “protecionismo emergencial”, porque ele parece desnecessário e, ademais, denigre a imagem de segurança jurídica do Brasil no cenário internacional, indispensável para atrair bons negócios ao País. É melhor ir direto ao ponto e incentivar a competição por meio da evolução tecnológica – e rápido –, para que de fato possa ser colocado em prática o programa de política industrial esboçado pelo governo, o chamado Brasil Maior, para não ficar só no IPI maior.
Tags:
Plano Brasil Maior, política industrial, IPI, competitividade, lucros, impostos, remessas.

Um comentário:

Marcos da Cunha Ribeiro disse...

Não sei se vou lembrar de tudo o escrevi e perdi na ultima tentativa ! FAlha minha ! Mas segue

Um PDV como o da GM implica custo e acima das obrigações sociais e legais que o país impõe osbre o empreendedor , seja nacioal ou estrangeiro. O custo só se justifica se der retorno no resultado em pouco tempo ou será realmente para sobrevivência. Me parece que estmaos mais para o 1o caso , neste momento.
O que ~me incomodou é a possibilidade de pensar em uma conexão com remessa de lucros e dividendos.Isso porque evidente que o capital de risco na produção pressupõe o obejtivo do lucro e este , em parte , pertence ao seu dono ( do capital ) então porque querer dar a impresão de que remessa de lucros e dividendos é algo reprovável ?
Oras , ao ter lucro pra remeter este empreendimento já deixou algo como 34% como IPRJ e CSSL para o governo brasileiro.Deixou uma substancial contribuição de encargos sociais para os salários pagos aos seus trabalhadores , ago como 100% sobre o custo do trabalho no salário. Quer mais ? Pois pense então que alem de tudo isso entre impostos e taxas indiretas há algo como mais de 30 % sobre a riqueza produzida que fica no novelo de impostos na cadeia de consumo, inclusive no caos os automóveis.
Posto isso pergunto : o que quer o comentarista do tema de remessa de lucros senão colocar um viés ideológico pseudo nacionalista sobre uma questão crítica que é de atrair e manter investimentos duráveis e de risco real no páis a partir de investidores externos ? ( Falo de capital vol~´atil que entra e sai da bolsa versus o capital real que fica nas fábricas e gera empregos.)
O Brasil não tem política industrial há mais de 30 anos e nem ogoverno e nem os empre´sarios aparentemente estão realmente interessados em tê-la ! No governo porque implica em compromissos que serão prometidos e não cumpridos como os PACs da vida . Para os empresários porque implica tambem em compromissos de retorno para a sociedade que certamente estarão fora da agenda dos oportunistas que só choram por conta de juros altos e taxa de cambio desfavorável mas não fazem nada real apra aumentar sua competitividade no mercado global inexorável.
Por isso minha posição algo indignada com a possibilidade de haver uma correspondência real entre duas variáveis totalmente distintas.
O lucro é um presuposto de consequência de competência em relação a algo ofertado e por outro necessitado ou demandado. Lucro é bom e é bonito se feito sob ética e sob regras socialmente estabelecidas e aceitas.
O lucro remetido apra exterior no Brasil s tem regras claras e restritivas . A remessa tem que ser proporcional ao capital social da empresa ou seu patrimonio líquido o que garante a maior parte do lucro ficando aqui como imposto ou por restrições acima descritas. Logo questionar o lucro enviado sob estas regras é supor eventual premissa de que não se pode remeter nada de qualquer lucro que se faça em qualquer lugar que não seja o páis . Daí nossos multinacioinais como Petrob´ras, WEG , Vale , Votorantim , Marco Polo etc... tambem talvez devam ser proibidas de remeter lucros para o Brasil de susas subsidiárias internacionais .
Me parece que sta discussão ficou fora de moda depois dos anos 80 no século passado .
Abraço

Marcos da Cunha Ribeiro