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domingo, 20 de novembro de 2011

O fim do capitalismo !??!

O tema está meio saturado, eu não escrevi nada aqui, mas o mundo só escreveu sobre isto, inclusive Wall Street que uma vez ocupada inspirou este post, já foi desocupada. Mas vamos lá …

 

O Capitalismo tem que acabar. Simples assim, acabar e pronto, quer dizer e ponto, ponto final (veja aqui). O Socialismo está quase acabando, o comunismo acho que já acabou e não sabe. Se o Capitalismo acabar também o que seremos ? Teremos que voltar a escola e estudar uma nova forma de organização social, do trabalho e do consumo, poderíamos chamar de Partilhismo, que tal ?

 

Os críticos do capitalismo, o são por conta de acharem que não dá mais para apenas 1% de toda uma população ficar com 40% da riqueza produzida, se não for exatamente esta a proporção, é algo assim. E quem disse que não dá mais ? Alguém, ou várias pessoas, que se enxergam nos outros 99%, claro. Eu digo ‘se enxerga’ porque, este tipo de divisão acontece da mesma forma em qualquer extrato da sociedade que se fizer, ou seja, se olharmos para os 99%, certamente entre os 99%, há uma pequena fração que fica com um pedação do bolo, enquanto uma grande parte divide o resto, e assim vai.
 
Então qual é o problema ? O problema na minha opinião se aloja na coisa pública, é muito complicado questionarmos o direito a propriedade privada, ou o mérito a competência e a qualidade, o fazer bem-feito, o esforço, o conhecimento, a criatividade. Estes atributos não podem deixar de ser reconhecidos e ter seu valor, seu preço, isto é capitalismo. O que não é Capitalismo é permitir que os bancos se coloquem no centro do mundo, que façam de tudo, sem regras e sem pudor, e quando quebram arrastam tudo com eles, porque arrastam contas públicas juntos, arrastam nosso dinheiro de contribuinte junto. Seria justo se quando o viés se inverte, e os bancos anunciam lucros bilionários, que pudéssemos taxar com força estes lucros, criando um seguro contra quebras, e que parte deste dinheiro tivesse destino social.
 
Em outras palavras, o problema não é sermos capitalistas, mas sim a forma como nossos governos o são. Ganhar dinheiro todo mundo pode, e deve, e quer, o que não pode é ter uma Receita Federal para assalariado, e outro para banco, uma para empresas grandes e outra para pequenas.
Um comunismo nas Receitas Federais, poderia sem o caminho para um Capitalismo mais saudável no resto do mundo…
 
O próprio movimento se apresentou como "um movimento de resistência sem liderança, com pessoas de muitas cores, gêneros e crenças políticas". "A única coisa que temos em comum é que nós somos 99%, que não vão mais tolerar a ganância e a corrupção de 1%." . O assunto estava posto, mas faltava um ponto, ou quem sabe um contra-ponto para trazê-lo, eis que surge um artigo de Klaus Schwab – Presidente do Fórum Econômico Mundial, que também defende que o capitalismo acabará e que dará lugar ao Talentismo, e com este gancho pergunta então porque os diferentes talentos são remunerados de forma dão desigual. O fato é que não há uma alternativa clara ao reinado do capital, e nem sei se temos estrutura de conhecimento e comportamental para inventar esta alternativa, somos muito feitos a feição capitalista.

 

Por que professor ganha menos que executivo?

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, no Estadão.
 
As críticas ao capitalismo aumentaram muito nos últimos meses. Movimentos de protesto, como o "Occupy Wall Street", expressam indignação com os excessos dos banqueiros, que, segundo os manifestantes, são os principais culpados pela atual crise econômica - mas, aparentemente, não estão sendo responsabilizados.
Crescente número de vozes, de várias esferas da sociedade, está demonstrando a sua solidariedade às atividades contra o capitalismo, um reflexo da frustração generalizada dos cidadãos. E por boas razões: porque até agora foi o contribuinte - o cidadão médio - que teve de pagar pela crise econômica e pelas dívidas nos Estados Unidos e na Europa. Aumento do desemprego, mais impostos e cortes nos sistemas de bem-estar e de saúde nos trouxeram à beira de uma crise social.

Sem dúvida, esses protestos contra o capitalismo conseguiram captar a essência dos nossos tempos. Mas não basta simplesmente condená-lo por seus inegáveis excessos. Precisamos fazer uma análise mais profunda do sistema capitalista e por que, em sua atual forma, ele não se encaixa mais no mundo ao nosso redor.

Quando a crise começou, em janeiro de 2009, durante minha palestra de abertura em Davos, eu disse: "Hoje, as pessoas ao redor do mundo estão me perguntando como foi possível tomar decisões - baseadas em ganância ou incompetência e sem nenhuma fiscalização efetiva - que tiveram consequências terríveis, não somente para a economia global, mas também para pessoas reais, que perderam suas aposentadorias, suas casas e seus empregos. Essas pessoas estão desnorteadas, confusas e com medo e raiva".

Naquela época, o mundo esperava que a crise fosse produzir uma reavaliação básica do comportamento de executivos de alto escalão no mundo dos negócios, em especial no setor de serviços financeiros. Depois de praticamente três anos, ainda não aprendemos com os erros do passado. O sistema que nos levou até essa crise é obsoleto, e não é de hoje. A crise não será superada no longo prazo se continuarmos renegando a necessidade de revisar o sistema. O capitalismo precisa ser reformulado, por três motivos:

O capitalismo é desequilibrado. O uso do capital virtual para especular aumentou muito e de maneira desproporcional comparado com o capital real, e está fora de controle. Precisamos de transações financeiras para equilibrar os riscos, mas não transações especulando sobre a própria especulação.

O sistema original capitalista apresentava uma divisão clara: entre o empreendedor, que suportava o risco do investimento, cuja recompensa é o lucro; e o executivo, cuja tarefa profissional é garantir o futuro da empresa no longo prazo e proteger os interesses de todas as partes interessadas. Com um sistema de bônus excessivo, o executivo alia-se aos interesses dos proprietários do capital, desvirtuando o sistema. Este é o problema fundamental da situação hoje: os salários excessivos corroeram a ética empresarial dos executivos.

O capital deixou de ser um fator decisivo para a produção, na atual economia global. Ideias inovadoras ou serviços intangíveis estão ocupando o espaço das vantagens competitivas, reduzindo a importância do capital. Além disso, com padrões de vida em ascensão, o foco geral está mudando de quantidade para qualidade. O sucesso econômico, no futuro, não será mais decidido pelo capital, mas pelo "talento" como fator de produção. Então, nesse sentido, estamos migrando do capitalismo para o "talentismo".

As demonstrações que estão ocorrendo ao redor do mundo são perigosas quando usadas como meio de iniciar uma guerra entre as classes sociais. Precisamos de novos impulsos que nos levem a reavaliar a situação e implementar as ações corretivas necessárias para remediar o sistema. Devemos converter o capitalismo de volta a uma economia de mercado social. Como o passado demonstrou claramente, outros sistemas econômicos, como o socialismo doutrinário, não oferecem alternativas viáveis. Ponto-chave de uma tal reforma precisa ser a redução dos excessos de produtos financeiros e da participação de executivos nos lucros.

Acima de tudo, o trabalho do executivo deve voltar a ser um posto profissional. Algumas empresas justificam o pagamento de salários e prêmios estratosféricos pelo fato de o talento ser frequentemente o principal fator de sucesso. Porém o talento não é importante apenas na profissão do executivo, mas em qualquer emprego.

Por que um professor excelente deveria ganhar menos que um executivo? Por que um cirurgião reconhecido mundialmente deveria ganhar menos que o CEO de uma empresa global?

Num mundo ideal, todos devem ganhar de acordo com sua responsabilidade e seu desempenho. A maior motivação profissional deve ser a vocação - não somente o desejo de lucrar. Medidas para diferenciar executivos de pessoas que correm riscos também devem reprimir transações financeiras em que os lucros beneficiem apenas os indivíduos envolvidos, enquanto os riscos são coletivos e o contribuinte acaba pagando a conta quando tudo der errado.

Outro princípio orientador importante na reforma do nosso sistema econômico é o conceito de partes interessadas, que defini pela primeira vez há mais de 40 anos. O conceito de partes interessadas assume que a empresa é uma comunidade social de muitas partes diferentes - ou seja, diferentes grupos sociais que estão ligados direta ou indiretamente pela empresa. O objetivo de uma liderança responsável é garantir o sucesso no longo prazo e a viabilidade da companhia e, assim, atender a todos os intervenientes, não somente aos interesses de curto prazo dos acionistas.

Em suma, precisamos avançar do capitalismo excessivo para uma economia de mercado em que a responsabilidade e as obrigações sociais não sejam palavras vazias.

Um comentário:

Anônimo disse...

Resumo: Mostraremos neste artigo como o Capitalismo consegue prosperar até determinado limite, e as razões de suas crises. Mostraremos também uma prova matemática do porque o sistema capitalista não é estável e que, para sobreviver, precisará sempre conquistar novos mercados ou manter a sociedade cada vez mais endividada. Em ambos os casos o sistema não poderá se estabilizar e isso implica em seu fim.
Texto completo:
http://stoa.usp.br/politica/weblog/99850.html