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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O home que ensinou um país a viajar…

Muito antes do milagre econômico brasileiro, um brasileiro, Guilherme Paulus fez, segundo afirmação de Ignácio Loyola, a descoberta da Classe C. Descobriu a demanda reprimida que lá havia, ousou, supriu e cresceu com esta demanda, passando pelo desafio de ousar e principalmente de ter que nos ensinar a viajar.

Trata-se de um livro institucional que conta a história da CVC, e por tanto, tem sim seus vieses, mas até para ter viés tem que ter qualidade.

Vale a pena ver o texto do Loyola sobre o livro que vem por aí…

Sabe onde está o seu Chiquinho?

Fonte : Tribuna Impressa - Araraqura

Quando o assunto, ou a pessoa, me interessa, aceito escrever o que se chama livro institucional. Tenho prazer. Se não tivesse, não faria. Na vida, a gente tem de fazer o máximo possível para gostar demais do que faz. Se não, qual a graça? Aceitei escrever a história da CVC. Quem não conhece a famosa agência de viagens que dava aquelas bolsas azul e amarela que se viam pelo Brasil inteiro em rodoviárias, aeroportos, portos, hotéis, resorts? Acabei descobrindo um personagem fascinante, Guilherme Paulus, o homem que criou a empresa. E que, nos anos 70, descobriu o nicho da classe C, sobre o qual todos falam hoje em dia.

Não foi Lula nem ninguém quem acertou quando foi buscar seu consumidor na classe C. Foi Guilherme, esperto, ágil, criador do turismo de massa. Hoje em dia, tem um mundo de gente falando em classe C, mas poucos realmente vão ao cerne dela, principalmente empresas e agências de publicidade. No dia em que foi chamado pelo grêmio de funcionários de uma montadora de automóveis para criar um roteiro de viagens para trabalhadores, operários, Guilherme vislumbrou o futuro e apostou nele. Resultado, neste mês está na capa da revista Exame, apontado como o bilionário das viagens. No entanto, é um sujeito simples, boa praça, conversador, engraçado e ousado. Quantas vezes liguei, ele mesmo atendeu. Sem mil secretarias, assessores, diretores de marketing. Um sujeito que começou carregando malas de viajantes na madrugada debaixo da chuva, enquanto sua mulher distribuía os lanches que passara a noite a fazer. A CVC foi o primeiro serviço de bordo em viagens rodoviárias. Um dia, na Espanha, encantado com um transatlântico, quis saber da empresa de navegação quanto custava trazê-lo ao Brasil.

— Precisa ter cacife, disse o armador, meio desprezando.
— Quanto?
— Seis milhões de dólares.
— Pois te dou um cheque de um milhão de dólares agora e vamos fazer o contrato.
Bem, o livro sai em maio, e adorei fazer. Adorei principalmente pelas mil side stories que levantei e mostram como uma empresa cresce e como tudo acontece. Num embarque, um funcionário da empresa ia de passageiro em passageiro, instruindo, indagando. Diante de um casal de 30 anos, perguntou:
— Vocês estão com o seu voucher?
— Não, estamos com o seu Amaral.
Em outro embarque para Santa Catarina, faltavam dois passageiros, ele rodou pelo aeroporto, até ver dois com as bolsas CVC, inconfundíveis.
— Por favor, vocês vão para Navegantes?
— Não, nossa excursão é aérea, não por barco.
Daí em diante, todos atendentes, todos receptivos foram orientados no sentido de conscientizar os passageiros quanto a terminologia própria e a certos procedimentos. Certa manhã, em um hotel, o guia estava à espera, só faltava um casal que desceu com meia hora de atraso.
— Meu senhor, algum problema? O que aconteceu?
— Nada, minha mulher estava arrumando o quarto.
Tudo por causa daquela plaquinha pendurada na maçaneta da porta do hotel. De um lado está assinalado: POR FAVOR, NÃO PERTURBE. Do outro: ARRUME O QUARTO. Entende-se agora como a CVC, ao longo destes 40 anos, tem formado o espírito do turista, ensinando a viajar.
Outro guia, estava em Guarulhos arregimentando seu grupo quando viu um velhinho que tinha o voucher na mão e parecia perdido .
— Precisa de alguma coisa, meu senhor?
— Preciso encontrar o Chiquinho.
Juracy ficou intrigado. Chiquinho? Não havia ninguém no atendimento da CVC com esse nome. De repente, tudo ficou claro. Alguém entregara o voucher a ele, dizendo:
— Quando o senhor chegar no aeroporto, entregue este papel no check in.
Outra vez, tarde da noite, bem tarde, muitos anos atrás, um funcionário e um companheiro estavam no escritório da CVC em Santo André preenchendo passagens (antes dos computadores, antes de tudo) quando ouviram um barulho de máquina de escrever no andar de cima. Sabiam que estava sozinhos, e as luzes no outro andar estavam apagadas. Quem estaria escrevendo à maquina, aquela hora? Pelo sim, pelo não, deixaram as passagens de lado e saíram correndo na noite. No dia seguinte conheceram o datilógrafo misterioso. Era a maquina de telex que era acionada à distância, funcionando sozinha, automaticamente. A informática acabou com o telex, mas ele foi bem moderno.

*Ignácio de Loyola Brandão escreve aos domingos neste espaço

Um comentário:

MY disse...

Hoje em dia é difícil encontrar alguém que não viajou pela CVC ao menos 1 vez... só acho que poderiam melhorar aquela mochila de viagem que nos dão de brinde, não acham?