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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O pensamento: O criador da experiência

Diretamente do amigo e amante do cérebro humano, Tomás Manzano. Fala sobre o pensamento no contexto de tudo que vivemos, que nada se dá se o pensamento e que saber conduzir seus pensamentos pode ser importante para ter o que ser quer. Aborda o pensamento, a consciência, enfim, um texto rico para ler e entender com calma… Espero que gostem.
O pensamento é a força que cria a experiência humana – a força suprema que gera, molda e transforma as nossas vidas. Criamos nossa experiência de vida através do pensamento; não podemos ter experiência alguma sem o pensamento. É como se o pensamento fosse a tinta da caneta da vida, e nós fossemos os ilustradoras. O que pensamos se torna emoções, percepções, decisões, comportamento insossos e também influencia as reações que recebemos dos outros e nossa interpretações dessas reações. Sem o pensamento, não haveria experiência.

É impossível experimentar qualquer sentimento negativo sem primeiro criar um pensamento negativo correspondente. A verdade é que nosso pensamento SEMPRE cria a realidade que percebemos. Por exemplo, quando vemos a vida como cheia de exigências e nos sentimos sobrecarregados, nossos pensamento coincidem com essa visão da vida. Quanto estamos impacientes, nossos pensamentos estão impacientes: “Quando é que aquele cliente vai me ligar para fazer aquele pedido?”. Quanto estamos estressados, temos pensamento estressados: “Eu detesto o meu chefe. Ele exige demais de mim. Será que ele pensa que só ele sabe tudo? “.

Esses pensamentos, e tantos outros, possuem a capacidade de roubar nossa saúde mental em qualquer momento específico. E como acreditamos que as circunstâncias externas criam nossos sentimentos, a maioria de nós tenta restaurar a saúde mental de fora para dentro alterando estas circunstâncias – tomando um tranqüilizante para relaxar, tendo um ataque de raiva, comprando algum dispositivo para poupar tempo ou pedindo demissão. Caso acreditemos que nossos sentimentos são determinados por forças externas, a conseqüência lógica é procurar alguma coisa igualmente externa como resposta. À proporção que ganhamos uma compreensão da nossa experiência psicológica, contudo, podemos reconhecer que a verdadeira FONTE da nossa experiência é sempre o nosso pensamento.

Como estamos pensando e o que pensamos são os únicos determinantes da nossa experiência. Independentemente do que aconteça conosco – o que estamos atravessando ou quais circunstâncias estamos encarando – é o nosso processo de pensamento que cria a experiência daquele evento. Por exemplo, se você está num engarrafamento, pode pensar: “Não acredito nesse tráfego! Porque não constroem avenidas mais largas? Eu devia mudar de cidade. Gostaria mas não posso ir. Estou preso aqui por causa do meu trabalho e de outras obrigações. Eu detesto o tráfego!” Ou você pode ter uma experiência totalmente diferente: “Rapaz, é bom ficar aqui sentado e apreciar esse raro momento sem correria. Tenho andado muito ocupado esta semana. Acho que vou simplesmente relaxar e apreciar um pouco de boa música no rádio.” O tráfego é o mesmo, a quantidade de tempo para chegar ao trabalho é a mesma; só a sua experiência do evento é diferente, e essa experiência é causada pela percepção que você tem dela. É importante saber que, muito embora as circunstâncias e dificuldades variem bastante em dificuldade e severidade, a dinâmica mental que estamos discutindo é SEMPRE a mesma. Em outras palavras, muito embora cada um de nós encare problemas mais sérios do que um simples engarrafamento, nosso pensamento e nossa percepção sempre determinarão nossa resposta.

Não estamos afirmando que o pensamento está entre nós e a vida. O que queremos dizer é que o pensamento É nossa vida. A emoção é pensamento; a sensação é pensamento; a percepção é pensamento. Até mesmo a consciência é pensamento. Sem o pensamento não haveria experiência. Você já esteve tão envolvido numa tarefa que não percebeu que não tinha se alimentado? Só quando alguém diz: “você não almoçou ainda? “ é que se torna consciente da sensação de fome. A nossa experiência de momento a momento está diretamente ligada com nosso pensamento de momento a momento. O seu problema pode de fato necessitar de atenção, mas você não vai experimentá-lo sem pensar nele.

Consciência

A consciência é a faculdade humana que faz com que o pensamento pareça real. É o departamento de efeitos especiais do cérebro, pegando qualquer pensamento que apareça na nossa mente e transformando-o na nossa experiência da realidade, naquele momento, através dos sentidos.

Pense no que acontece quando você liga sua televisão. O que está vendo na tela é determinado pelo sinal que está recebendo. A televisão em si não tem nada com a programação. No entanto, sem uma televisão, um sinal não pode ser recebido.

A consciência é como a televisão. Ela leva à tela qualquer sinal em que a televisão está ligada – a história de assassinato, a reprise do jogo, a novela. Qualquer coisa em que você esteja ligado não se origina na própria televisão. A televisão meramente transmite o que está na tela.

Como a televisão, a consciência traz o pensamento (o sinal) para a vida. O que quer que estejamos assistindo aparece através dos sentidos (sons, visões, odores, gostos e texturas). À medida que nos envolvemos no show televisivo, ele se torna nossa realidade.

Pensamento + Consciência = Experiência

A consciência não decide qual pensamento vemos como realidade; ela é muito mais impessoal do que isso. A consciência simplesmente serve o nosso pensamento tornando-o real. O pensamento e a consciência são simultâneos. Por exemplo, caso você perceba a experiência no meio da sua experiência negativa no tráfego que o seu pensamento está criando sentimentos perturbados, a sua mente vai começar a se limpar e um novo pensamento vai, automaticamente, substituir a antiga percepção. Você pode aproveitar a oportunidade para simplesmente relaxar e apreciar a música e o tempo parado. Assim, você tem uma experiência totalmente diferente – e mais agradável – e o tempo passará muito mais rápido.

Você alterou o seu pensamento através da compreensão e a sua experiência será alterada de acordo com o momento.

Não podemos controlar a nossa experiência uma vez que tenhamos criado o pensamento. A consciência é o servo passivo do pensamento, automaticamente transformando pensamentos em experiência. A única variável sobre a qual temos controle é o nosso pensamento. O que determina qual o canal em que estamos ligados?

Reconhecimento de pensamento

Todos nós temos a capacidade de fazer uma pausa e reconhecer o nosso pensamento – de ver que o pensamento não é uma realidade no momento. Este processo de autoconsciência ou de reconhecimento de pensamento é talvez a ferramenta mais poderosa que temos para restaurar a nossa saúde mental. Quando começamos a reconhecer que o nosso pensamento está criando nossa experiência, ficamos menos apegados a pensar de uma determinada maneira. Então, podemos ver que existem muitos canais à nossa escolha e não só aquele que estamos experimentando atualmente.

Sempre que posso reconhecer um pensamento que é um hábito negativo – digamos, uma tendência de culpar alguém, de achar que estamos sempre com a razão, ou de ficar zangado – posso me perceber no ato de criar uma realidade que está afetando adversamente o meu estado de espírito. Por exemplo, posso ficar irritado com meu funcionário por não fazer o que acho que ele deveria estar fazendo. Então, no momento seguinte, reconheço que minha irritação é um pensamento, o meu pensamento se desvia automaticamente da irritação. Os pensamento que me ocorrem em seguida serão determinados pelo meu nível de sabedoria, minha maturidade e meu humor.

Dois modos de pensamento

1. O modo de análise/processamento

Muito embora crie toda a experiência, o pensamento pode funcionar de duas maneiras ou modos muito diferentes. Quando você sabe qual o seu modo de pensamento num determinado momento, está numa posição de viver num funcionamento psicológico saudável. O primeiro modo, o modo de processamento, é semelhante ao modo como um computador processa informação: armazenando dados e lidando com as situações que exigem soluções onde todas as variáveis são conhecidas.

Este modo analítico de pensar é essencial para que possamos viver nossas vidas de maneira eficiente. Ele nos permite aprender tudo, da linguagem à matemática. Com a sua ajuda, podemos operar um computador, dirigir um carro ou encontrar nosso caminho até o armazém da esquina sem precisar redescobrir a rota todos os dias. Podemos lembrar do nosso nome e do aniversário dos nossos parentes e amigos e podemos realizar um milhão de outras tarefas, que uma vez aprendidas são facilmente repetidas.

A vantagem primária deste modo de pensamento é que quando todas as variáveis são conhecidas e temos todas as informações necessárias, o pensamento analítico é extremamente rápido e eficiente. Se por exemplo, preciso estimar quanto tempo levaremos para chegar ao aeroporto de um local pouco familiar, posso usar o modo analítico para calcular distância, tempo e condições de tráfego.

A desvantagem deste modo de pensamento é que quando não conhecemos todas as variáveis, continuamos a ferver por dento; ficamos obcecados repensando problemas sem resultado – um processo que causa desgaste, frustração e esgotamento. Por exemplo, se eu não sei imediatamente o que fazer para resolver uma situação difícil de relacionamento no trabalho, posso processar o problema repetidas vezes na minha mente sem que tenha nenhum insight sobre a situação, em detrimento do meu trabalho, dos meus relacionamentos e do meu sono. No nosso mundo de ritmo rápido, a maioria de nós aprendeu a viver quase que exclusivamente nesse modo orientado para o processo. O uso repetido do pensamento de processo quando todas as variáveis não são conhecidas, todavia, pode e vai causar, estresse, preocupação, ansiedade, depressão, insônia, um senso de pressa e muitas outras emoções negativas.

Muito do que aprendemos a partir de fontes externas chega até nós através do modo analítico. Nossos hábitos, crenças, valores, habilidades, atitudes, preconceitos, expectativas, gostos e desgostos, preferências e traços de personalidade são todos incutidos através do processo de condicionamento e socialização. Então, personalizamos essas idéias para que correspondam a situações particulares através da análise e da computação. Essa forma intelectual (racional) de pensamento nos é ensinada desde o berço. O modo de pensamento de processamento/analítico é altamente valorizado na nossa cultura ocidental – tão altamente valorizado, na verdade, que esquecemos o outro modo de pensar, o modo de livre fluxo.

2. Modo de livre Fluxo

A outra maneira de pensar que está disponível para nós opera como um rio. Ele está sempre fluindo, trazendo novas informações e pensamentos no momento – alguns da memória, alguns da fonte criativa. Chamamos este modo de pensamento de modo de livre fluxo. A finalidade primária desse modo operar em níveis máximos de desempenho e eficiência e resolver problemas onde uma ou mais variáveis são desconhecidas. No modo de livre fluxo temos a habilidade de pensar novos pensamentos – pensamentos que nunca foram considerados anteriormente. As pessoas costumam se referir a esse tipo de pensamento como criatividade, sabedoria, insight, intuição e idéias saídas do nada ou inspiração. Esse modo de pensamento pode usar a memória, mas quando o faz, é de maneira nova e criativa, que é relevante para aquele momento.

Quando estamos no pensamento de fluxo, experimentamos o pensamento sem esforço. Nosso pensamento está no momento reagindo, o que quer que esteja acontecendo ou seja necessário naquela hora. Muitas pessoas não consideram este modo de pensamento uma forma de pensar, mas com certeza é. Por exemplo, atletas profissionais estão no modo de livre fluxo durante o jogo – quando estão no campo. Um jogador de basquete no fluxo está lançando e passando instintivamente com um sincronismo preciso. Um orador publico no modo de livre fluxo é inspirado, criativo e sensível à audiência com quem está falando.

Quando estamos no fluxo, os pensamentos parecem vir até nós do nada. O pensamento não exige esforço algum. Na verdade o esforço bloqueará nosso pensamento e nos colocará de volta no modo de processamento. A maioria das pessoas adora quando está no modo de livre processamento, mas poucas sabem como ter acesso a ele de maneira confiável. Muitas atribuem o fluxo ou o pensamento de livre fluxo às circunstâncias – às pessoas corretas, ao tempo, à mágica, à sorte e assim por diante. No entanto, o pensamento de livre fluxo é completamente natural. É por isso que as crianças passam a maior parte do tempo no pensamento original – ele não é aprendido.

Numa pesquisa recente, as pessoas tinham de responder à pergunta: “Onde e quando você costuma ter a maioria das suas idéias criativas e/ou melhores? “. As três respostas mais freqüentes foram “no chuveiro”, “de férias” e “dirigindo o carro”. Naturalmente essas são ocasiões em que estamos fazendo pouco ou nada, mas paradoxalmente, temos nossos melhores pensamentos e idéias justamente nesta hora.

É importante saber que NÃO estamos afirmando que o modo de livre fluxo é bom e o modo de processamento é mau. O que estamos dizendo é que podemos aprender a viver no pensamento de livre fluxo com uma freqüência muito maior do que a atual. E podemos aprender a usar o pensamento de processo mais como uma ferramenta quando necessário em vez de como nossa forma de pensamento dominante.

Como ter acesso aos dois modos

Você pode notar que esses dois modos de pensamento funcionam de maneiras distintas: ou você está num deles ou está no outro. Como um walkie-talkie, ou você “fala” ou “escuta”; não há situação intermediária. No modo de processamento, parece que você está pensando, já que o processamento exige concentração e esforço. Mas soltar o botão do walkie-talkie através da limpeza da sua mente – faz com que você entre automaticamente no modo de livre fluxo, onde seus pensamentos fluem uns nos outros sem esforço, de uma maneira inteligente, embora difusa.

Outra maneira de dizer isso é afirmar que, se você está pensando ativamente, está no modo de processamento; se você está pensando passivamente, está no modo de livre fluxo.

Então, como acessar estes dois modos? Nós estamos mais familiarizados com o modo analítico/de processamento só porque é o modo que aprendemos a valorizar mais. Sempre que realmente achamos que estamos pensando, estamos no modo de processamento. Ele pode parecer exigir mais esforço, como se estivéssemos batendo num tema. Pode ser uma fonte de tensão, se usarmos erradamente ou se continuarmos neste modo por tempo mais prolongado.

Para acessar o modo de livre fluxo, precisamos nos desapegar do nosso pensamento analítico. Limpar a mente é muito parecido com deixar o sedimento descer a água; você simplesmente não faz nada e o sedimento se assenta automaticamente. Tudo que tentar para assentar o sedimento, na verdade o agita. Outra maneira de pensar sobre isso é pegar um momento e levá-lo para o fogareiro de trás, isto é, não pensar ativamente sobre ele, mas escolher esquecê-lo momentaneamente para que o pensamento de livre fluxo possa trabalhar nele enquanto você pratica um esporte, limpa a casa, cuida do jardim ou faz uma caminhada.

Para ganhar acesso ao pensamento de livre fluxo, precisamos saber que ele existe e precisamos acreditar no fato de que, assim que limparmos a mente, esse modo vai automaticamente começar a nos alimentar com um fluxo de pensamentos – o que realmente acontecerá. Ele pode nos dar respostas que não estávamos esperando, mas elas serão muito superiores e muito mais sábias que os pensamentos que já tinham passado por nossa mente.

Não saber

Não saber, isto é, estar disposto a admitir que não sabemos, é uma das chaves que abrem a porta para a inteligência criativa. É necessário ter humildade para abrir essa porta. Nosso ego não gosta de não saber e preferiria repetir várias vezes o que já pensamos e acreditamos do que confiar num processo sutil e desconhecido como a inteligência criativa. Mas nos abrirmos para o desconhecido é uma alternativa pacífica e produtiva para nosso modo de processamento sempre ocupado, onde fingimos (ou esperamos) que sabemos o que está acontecendo. Limpando a mente e admitindo a nós mesmos que não sabemos, recebemos respostas que são, muitas vezes, brilhantes, inesperadas e simplesmente certas para a situação.

Reconhecimento de Pensamento

O reconhecimento de pensamento é a chave para a desaceleração e mudança de marcha. Quando fazemos uma pausa e refletimos, nosso modo de livre fluxo toma conta e nos guia para o próximo passo. É nosso piloto automático embutido, a sabedoria que nos permite saber a diferença entre os dois modos e saber qual é o necessário para um dado momento. Quando podemos reconhecer nosso pensamento, o passo seguinte parecerá óbvio – seja ele colocar a questão no fogareiro de trás, analisá-la mais um pouco, procurar mais informações ou simplesmente não fazer nada. Essa capacidade de reconhecer nossos pensamentos, com a prática, torna-se automática, e nosso modo de pensamento muda de segundo a segundo.

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