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terça-feira, 10 de abril de 2012

China x EUA - Guerra eletrônica

Já faz algum tempo que estamos sendo levados a crer que estamos seguros no mundo digital. Os bancos, por exemplo, abafam com velocidade poucas vezes vista nos serviços destas instituições, qualquer caso de fraude eletrônica. Tudo isto porque o grande objetivo é que sejamos cada vez mais eletrônicos e menos físicos. E estes objetivos vem sendo atingidos, o comércio eletrônico não para de crescer, as redes sociais nos expões como nunca se fez, fazendo com que estejamos diante de uma nova organização social, de novos hábitos de consumo e comportamentais.

Pois eis que em meio a toda esta digitalização, sem muita repercussão, uma matéria no Estadão trouxe a tona algo que mais ou menos todos sabemos, ou pelo menos desconfiamos, mas sempre temos medo de tocar de frente no assunto, pois iria contra todo um status quo que muito nos agrada, o da vida digital.

O texto extraído do Estadão, trata o crime de roubo eletrônico como uma grande, talvez a maior ameaça pela qual passa o império americano neste momento…

“…esses ataques em breve substituiriam o terrorismo como a preocupação principal da agência. Hackers estrangeiros, em particular da China, penetram nos computadores de empresas americanas e roubam quantidades enormes de dados valiosos e propriedade intelectual.

Não é difícil imaginar o que ocorre quando uma empresa americana paga por pesquisa e uma empresa chinesa consegue os resultados de graça. Isso destrói sua vantagem competitiva.”

Parece-me que para os Chineses o exército será mesmo de gênios (Veja o post O verdadeiro exército chinês está sendo formado) e por isto, a guerra não se dará pegando em armas… Veja abaixo a matéria do Estadão. No final menciona-se que foi traduzida, eu busquei, sinceramente não muito, o texto original, mas não encontrei…

Como Pequim rouba os segredos americanos

 

Fonte : Estado de São Paulo

 

Hackers tiram competitividade de empresas dos EUA

Nos dois últimos meses, funcionários de alto escalão do governo e especialistas do setor privado desfilaram diante do Congresso e descreveram em termos alarmantes uma ameaça silenciosa: ciberataques realizados por governos estrangeiros. Robert S. Mueller III, diretor do FBI, a polícia federal americana, disse que esses ataques em breve substituiriam o terrorismo como a preocupação principal da agência. Hackers estrangeiros, em particular da China, penetram nos computadores de empresas americanas e roubam quantidades enormes de dados valiosos e propriedade intelectual.

Não é difícil imaginar o que ocorre quando uma empresa americana paga por pesquisa e uma empresa chinesa consegue os resultados de graça. Isso destrói sua vantagem competitiva. Shawn Henry, ex-diretor-assistente executivo do FBI, disse ao Congresso há duas semanas que uma empresa americana teve todos os seus dados de um programa de pesquisa de 10 anos e US$ 1 bilhão copiados por hackers em uma noite.

O general Keith B. Alexander, chefe do Cyber Command das forças militares, qualificou o roubo digital contínuo, desenfreado, de "a maior transferência de riqueza da história".
Entretanto, o mesmo Congresso que ouviu todos esses testemunhos perturbadores está atolado em discordâncias sobre um projeto de lei de cibersegurança que não faz muito para enfrentar o problema da ciberespionagem chinesa. O projeto, que estabeleceria padrões de cibersegurança não compulsórios para o setor está atolado em disputas ideológicas.

O senador John McCain, que o considera uma forma de regulamentação desnecessária, propôs um projeto alternativo que não trata de ciberdefesas inadequadas de companhias que rodam elementos de infraestrutura nacional. Como o Congresso parece incapaz e sem vontade de enfrentar a ameaça, o Poder Executivo precisa fazer alguma coisa para impedi-la.

No passado, agentes do FBI estacionavam do lado de fora dos bancos que consideravam prestes a ser roubados e dessa forma capturavam os ladrões e o saque quando eles saíam. Capturar os ladrões no ciberespaço não é tão fácil, mas capturar o saque é possível. O general Alexander testemunhou na semana passada que sua organização viu um ataque de fora que pretendia roubar arquivos sensíveis de um fabricante de armas americano. O Pentágono advertiu a companhia, que teve de agir por conta própria. O governo não interveio diretamente para barrar o ataque porque nenhuma agência federal acredita que tem hoje a autoridade ou a missão de fazê-lo.

Interceptação. Com a autorização apropriada, o governo dos Estados Unidos poderia impedir os arquivos que estão sendo roubados de chegarem aos hackers chineses. Se agências do governo fossem autorizadas a criar um grande programa para interceptar dados roubados que estão saindo do país, elas poderiam reduzir drasticamente o roubo atual no atacado de segredos corporativos americanos.

Muitas companhias nem sabem quando estão sendo invadidas. Segundo os testemunhos ao Congresso da semana passada, 94% das companhias servidas pela empresa de segurança de computadores Mandiant não tinham conhecimento de estarem sendo invadidas. E embora a Securities and Exchange Commission (SEC, que normatiza atividades da bolsa) insista para as empresas revelarem quando forem vítimas de ciberespionagem, a maioria não o faz. Algumas, entre as quais Sony, Citibank, Lockheed, Booz Allen, Google, EMC e a Nasdaq, admitiram ter sido vítimas.

Os National Laboratories, do governo, e centros de pesquisa com financiamento federal também foram invadidos.

Por temor de que o monitoramento do governo seja visto como uma cobertura para a bisbilhotice ilegal e a violação da privacidade dos cidadãos, o governo de Barack Obama nem mesmo tentou desenvolver uma proposta para localizar e barrar a espionagem industrial em geral. Ele teme uma reação negativa dos defensores de direitos à privacidade e da liberdade na internet que não querem o governo monitorando o tráfego na internet. Outros no governo temem também prejudicar as relações com a China. Algumas autoridades receiam até que enfrentar a China possa desencadear ataques paralisantes à vulnerável infraestrutura controlada por computadores dos Estados Unidos.

Com sua inércia, porém, Washington está efetivamente preenchendo os requisitos de pesquisa da China enquanto ajuda a tirar trabalho de americanos. Obama precisa enfrentar a ciberameaça e ele nem mesmo precisa de uma nova autoridade do Congresso para tal.

Pela autoridade da Alfândega, o Departamento de Segurança Nacional poderia inspecionar o que entra e sai dos Estados Unidos pelo ciberespaço. A Alfândega já busca a pornografia infantil online que cruza fronteira virtuais. E pela Lei da Inteligência, o presidente poderia emitir um decreto autorizando agências a monitorar o tráfego na internet fora dos Estados Unidos e reaver arquivos sensíveis roubados no território americano.

E isso sem pôr em risco os direitos à privacidade dos cidadãos. Aliás, Obama poderia construir proteções como nomear um defensor privado com poderes que poderia barrear abusos ou qualquer atividade que fosse além de impedir o roubo de arquivos importantes.

Se o Congresso não agir para proteger as empresas dos Estados Unidos das ciberameaças chinesas, o presidente Obama deveria fazê-lo. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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