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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Saltos profissionais

Planejar a desconstrução !

Por que é tão difícil promover estas mudanças tão cantadas pelos especialistas ?

É simples, é difícil porque nosso modelo mental e nosso modelo sócio-cultural nos pede exatamente o contrário, ou seja, fomos construídos para planejar executar e buscar a estabilizção.

Tudo é assim, no próprio trabalho é assim, a vidas pede que seja assim, nascemos, crescemos, nos rebelamos, viramos adultos e …. estabilizamos.

Nossas mentes sempre vivas, experimentando sensações de conquista em conquista, de frustração em frustração, nos guiam para a construção do sonho possível, e nele encontramos a deliciosa vida cotidiana, que nos envolve, e que nos prende.

É assim Libertar-se das delícias cotidiana, subindo o olhar para os sonhos que não foram possíveis, deixando para trás sonhos e conquistas, trocando sonho por sonho. É assim que deveria ser… Texto a segui, trata do tema. 

Por : Alexandre Hohagen

O que comentei com a plateia da FGV é que, apesar dessa rápida evolução tecnológica observada por toda parte, nem sempre as pessoas estão preparadas para aceitar mudanças igualmente necessárias em suas vidas e em suas carreiras. Ainda é característica da maior parte dos profissionais se manter arraigada a processos antigos que trazem segurança, como um cargo estável e/ou um salário razoável por mês.

Frequentemente sou convidado para dar palestras sobre liderança e gestão. São dezenas delas por ano, onde normalmente sou questionado sobre minha trajetória profissional e sobre as mudanças de rumo às quais me propus ao longo do caminho. Não raro, aparecem perguntas também sobre a frieza necessária para abandonar uma carreira em ascensão e começar tudo do zero novamente.

Ontem mesmo estive na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo para um encontro com universitários. Parte do tempo em que passei à frente da plateia -cerca de 500 espectadores, principalmente estudantes de graduação- dediquei a comentar sobre as mudanças necessárias no comportamento profissional para acompanhar a evolução tecnológica.

Vivemos no mundo do imediatismo, em que a tecnologia encurta distâncias, aumenta a produtividade e permite a conexão instantânea de pessoas, coisas, produtos e lugares. É a era dos computadores ultraportáteis, dos tablets e dos negócios bilionários que podem ser comandados a partir da palma da mão, por meio de um smartphone.

O que comentei com a plateia da FGV é que, apesar dessa rápida evolução tecnológica observada por toda parte, nem sempre as pessoas estão preparadas para aceitar mudanças igualmente necessárias em suas vidas e em suas carreiras. Ainda é característica da maior parte dos profissionais se manter arraigada a processos antigos que trazem segurança, como um cargo estável e/ou um salário razoável por mês.

Um dos exemplos vem de profissionais excelentes, mas inflexíveis, que ainda atribuem, por exemplo, valor excessivo à hierarquia empresarial e não compreendem que, na nova dinâmica dos negócios, o cargo dá lugar ao profissional multifunção. Ele pode até não ter um título grandioso no papel, mas é essencial para o crescimento da empresa.

No mundo das transformações velozes dos negócios, estar aberto aos riscos das mudanças de áreas, de empresas e até de profissão nunca foi tão necessário. Agora, mais do que nunca, é necessário que os jovens profissionais pensem em suas carreiras futuras como um plano de negócios: com estruturas de base, com as etapas necessárias para o crescimento -e seus desvios em caso de imprevisto- e o objetivo final.

No meu caso, liderar uma grande empresa era o plano desde muito jovem. E precisei correr os riscos das mudanças para conseguir chegar até o objetivo. São essas transformações que levam ao que considero saltos profissionais.

Comecei minha vida profissional há mais de 20 anos na área de comunicação corporativa, após cursar publicidade e jornalismo. Fiquei no ramo por quase sete anos, até ingressar em recursos humanos. Confesso que pouco conhecia da área, enfrentei obstáculos, mas considerava que entender as pessoas me ajudaria futuramente a compreender melhor os negócios. Foi o primeiro grande salto que dei em direção ao objetivo.

O segundo salto veio com a saída da área de RH para vendas, área crucial para o crescimento de negócios de qualquer empresa. Novamente, as resistências apareceram, mas foram essenciais para o crescimento profissional.

O terceiro e decisivo salto veio quando deixei as posições de vendas para assumir, pela primeira vez, a função de gerente-geral, à frente da HBO, quando precisei me aprofundar em gestão de crise, metas e prazos, elementos essenciais que me abriram o caminho para ocupar as posições no Google e agora no Facebook.

Pela própria experiência, costumo responder às perguntas sobre trajetória profissional dizendo que não existe fórmula pronta capaz de indicar que "chegou o momento da mudança", mas que observar as demandas do mercado e construir uma carreira eclética costumam ajudar.

Se houver um planejamento antecipado, tudo fica mais fácil. Ainda assim, dá para dizer que, de tempos em tempos, é necessário desconstruir parte do que aprendemos, sair da área de conforto de uma posição já estabelecida e se jogar de cabeça naquilo que julgamos ser essencial para o crescimento futuro.

2 comentários:

Marcos Ribeiro disse...

Este tema me é caro e não posso deixar de comentar.
O fato de o tema ser atual e incomodo para os mais atentos infelizmente ainda não é um tema que desperte em todos um mínimo de responsabilidade com sua propria carreira. Sempre se espera que alguem cuide de nossa carreira por nós ! Erro fatal na maioria das vezes .
Com a dinamica das organizações e velocidade dads mudanças no mundo de hoje este erro será mais fatal ainda para a maioria que se acomoda e busca sempre a zona de conforto . Talvez tão arriscado quanto os que hoje não se conformam e ter paciência e dar-se o tempo de evoluir para poder demonstrar competências e experiências que valham promoções e progresso de carreira de forma sustentada e sólida. Tambem a busca de uma ascensão rápida é muito perigosa especialmente quando demonstra um excesso de auto confiança sem lastro de bagagem e conhecimentos suficientes. A superficialidade dos tempos atuais é um risco.
Cuide de sua carreira porque ninguem alem de você pode e deve cuidar dela !
Abraço
Marcos

Dalbi disse...

Marcão, este tema se torna ainda mais complexo quando colocamos em pauta o modelo mental de vida de sucesso sob o qual fomos construídos. Tema para longos debates, que eu teria o maior prazer em ter... quando tiver pauta nesta linha mande que eu publico e vamos discutindo.
Abs