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quinta-feira, 25 de abril de 2013

A indústria do empreendedorismo

Sucesso - Empreendedor - Fracasso

Da Wikipedia : O conceito mais aceito de "Empreendedorismo" foi popularizado pelo economista Joseph Schumpeter em 1945 como sendo uma peça central à sua teoria da Destruição criativa. Segundo Schumpeter o empreendedor é alguém versátil, que possui as habilidades técnicas para saber produzir, e capitalistas ao reunir recursos financeiros, organiza as operações internas e realiza as vendas de sua empresa[2].

Mais tarde, em 1967 com Kenneth E. Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de risco, uma pessoa empreendedora precisa arriscar em algum negócio. E em 1985 com Gifford Pinchotfoi introduzido o conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora mas dentro de uma organização.

Uma das definições mais aceitas hoje em dia é dada pelo estudioso de empreendedorismo, Robert Hirsch, em seu livro “Empreendedorismo”. Segundo ele, empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal.

A satisfação econômica é resultado de um objetivo alcançado (um novo produto ou empresa, por exemplo) e não um fim em si mesma.

Até aqui tudo bem, tudo perfeito. Qual o problema então ? Por que fazer este post ?

Pelo seguinte… Pelo fato de que pelo que tenho visto e ouvido empreender virou um negócio por si só, e tem gente, muita gente vivendo disto. Vivendo não dos resultados dos empreendimentos, mas da formação de uma aura, de uma moda, empreendedora.

Explico : Durante anos ouvimos que o brasileiro era pouco empreendedor, e que isto nos limitava como nação e como economia. Isto era em parte um fato, mas que mesmo assim nunca se deveu somente ao comodismo, falta de visão, incapacidade de planejar ou medo do risco como quiseram fazer crer. Até porque se olharmos a história recente do nosso desenvolvimento econômico, tem de tudo, menos medo do risco. O brasileiro sempre foi empreendedor, mas sempre sofremos de condições estruturais, políticas e jurídicas que nunca nos permitiram ter aqui a vanguarda do mundo e muitos setores, mas ficou longe de significar que nada estava sendo feito. Lembre de sua infância, quantos negócios você via nascer em sua comunidade, quanta gente você conheceu que foi arriscar tudo em algum canto do país.

Mas ser visto como pouco empreendedor era importante, gerava um enorme mercado.

Eis que nesta esteira, sem que uma reforma nos modelos culturais e educacionais ocorressem, criou-se a indústria do Empreender, cujo objetivo é faturar e alto com o seu dinheiro colocado a risco. Esta indústria se apresenta nas mais variadas formas, são centenas, talvez milhares, de franquias , revistas e mais revistas especializadas, sites e mais sites, blogs, livros, palestras, cursos, enfim um universo, um setor de negócios, chamado ‘setor do empreendedorismo’.

Invista um minuto do seu tempo e vá ao Google e pesquise pelo tema e verá a infinidade de bons negócios que estão aí dando sopa, só esperando você para prosperarem.

Esta indústria é muitíssimo bem estruturada, tem todos seus elos bem definidos e atuando de forma orquestrada.

Tem aqueles que se especializaram em colocar o astral lá em cima, e convencer a todos que não estão ‘investindo’ em nada ainda, que estão ficando para trás. Este elo da cadeia é responsável por abastecer o mercado com um monte de gente com ‘sangue nos olhos’ para realizar seus sonhos mais distantes, sem medos, com toda coragem.

O primeiro ela gera massa crítica de investidores para o segundo elo, o dos entendidos, analistas, comentaristas, blogueiros (epa ?!?!?), e toda sorte de gente que por trás de um site, de um terno cem cortado, julgam-se prontos e a vontade para recomendar uma série de investimentos, de todo preço, mas todos excelentes e com retorno prá lá de satisfatório.

Nesta etapa já temos massa com dinheiro, sem medo, pronta para investir, entendendo tudo de mercado, confiante e com um monte de opções para investir, aí entra o terceiro elo da cadeia, os prósperos.

Essenciais, sem eles nada acontece, o próspero está ficando rico, tão rico, tão rico, que ele tem até tempo para te convidar a ficar rico também, e ir a todo canto do país contar como ficou rico, motivando a massa sem medo a investir nos excelentes negócios que se apresentam.

Neste momento surge o componente final, o elo decisivo, a ganância, e movido por ela não resistimos ao ímpeto de ganhar tanto sem fazer nada e ‘investimos’,  fechando assim o ciclo

No final temos vários empreendedores frustrados, uma parte realimenta automaticamente esta roda, outra parte busca outro caminho, com a pressão de nunca assumir que fracassou, o que também é parte do jogo e mascara de sobremaneira as reais dificuldades colaborando para manter o ciclo rodando.

Resumindo, o precisamos sim empreender , mas empreender em negóciso que tenham identidade com a história das pessoas, com suas competências específicas, com sua capacidade de produzir, não em coisas prontas, lucrativas, que não dão trabalho, muitas vezes nem precisa sair de casa, estas são um mal ao processo empreendedor.

Avalie este mercado você mesmo, e tire suas conclusões. Eu tinha muito mais para escrever, mas o texto já se alongou demais e ninguém teria paciência para ler.

Fica o lema : Empreender sempre. Perder a razão, jamais…

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