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terça-feira, 16 de julho de 2013

A espião que todo mundo sabia que estava lá

Há uns 5 anos, por oportunidade de trabalho, fiz uns amigos na Alemanha. Alguns deles, eram oriundos da Alemanha Oriental, e era inevitável não conversar, ainda que com certa preocupação por não saber se o assunto era aborrecedor a eles ou não, sobre a vida do ‘lado de lá’ da Cortina de Ferro.

Era surpreendente ouvir deles como era a vida, e ver que eles lembravam com certo saudosismo, ainda que sem nunca expressar abertamente isto, diziam que a vida era boa, que não lhes faltava nada.

O mais curioso, e a razão para esta historinha estar sendo lembrada, era quando perguntávamos do controle do governo sobre eles, ou sobre a liberdade que realmente tinham ou que não tinham, pois ouvia-se a seguinte resposta : ‘sabíamos que não podíamos ir a qualquer lugar, mas não nos sentíamos presos…’, ‘não podíamos ficar viajando pelo mundo, isto dava sensação de estar presos…’, ‘quando nos reuníamos, para um passeio, ou mesmo uma viagem, sabíamos que sempre havia alguém do governo entre nós e nós não sabíamos quem era, mas sinceramente, isto não nos atrapalhava em nada…’.

O conceito de liberdade parece então algo relativo, pois até quem sob a ótica do ‘ocidente livre’ era um verdadeiro prisioneiro de um regime totalitário, não se achava assim tão preso.

A internet e a grande malha de telecomunicação que o mundo possui, nos permite viajar com apenas alguns toques de botão, de dedos, de tela, e o que Snowden nos trouxe é a certeza de que ‘alguém do governo’ está entre nós nestas viagens, como se não soubéssemos, como se não tivesse sido assim desde sempre, seja do lado de lá, ou do lado de cá da cortina.

Cabe questionar a eficácia destes espiões, que não previram sequer que Snowden apareceria ?

A velocidade com que o mundo produz informações aumenta a cada microsegundo, logo por mais que você as analise nunca terá certeza se não está olhando para um passado sem valor, ou uma pista falsa, uma piada, um erro, enfim algo que não interessa a ninguém.

Será que ao optar por deixar a vida tão aberta em redes sociais e pela internet, as pessoas de fato se preocupam com um possível risco de estarem sendo espionadas ? As guerras criam os espiões, ou os espiões criam as guerras ?

Snowden e Assange (que anda meio sumido) são na verdade os dois lados da mesma moeda. A moeda que rege o mundo , mundo que já teve como símbolo de poder, o controle sobre terras, sobre especiarias, sobre minérios, petróleo, mão de obra, agora é símbolo de poder controlar a informação.

Que venham os Snowdens, bem vinda ao mundo real NSA. Quando estiverem lendo este post, não me entendam mal, não estou provocando-os.

Aos amigos, quando algo for mesmo sigiloso, único e inviolável, não conte a ninguém ou se precisar passar adiante o faça entregando em mãos, ainda que algumas horas, ou até dias depois. Ah, e se eu te ver escutando uma conversa pelas divisórias da sala de reunião, te dou um sinal, ok ?

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