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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Roupa suja agora se lava on-line

Assisti ontem alguns trechos do Roda Viva, que entrevistava dois líderes do Midia Ninja, grupo que ficou conhecido por transmitir as manifestações recentes com smartphones no meio dos movimentos.  Foi impossível não refletir sobre o tema: antigamente era Midia de Massa, agora o tempo é da Massa de Mídias. Passa por tanta coisa, pelo real papel da Midia, e tantos outros temas. Fiz uma reflexão simples, tomando apenas um dos inúmeros ângulos que este tema nos dá para análise.

Analiso…

Antigamente era um dogma, valia para tudo e todos, roupa suja se lavava em casa. Quando sua mãe, brava, dava aquele aviso para você, “meu filho, em casa a gente conversa"…”, . ela provava a tese de que roupa suja se lavava em casa.

A internet e a evolução da telecom acabaram com este dogma, permitiu juntar pessoas aos fatos, juntou o cotidiano de todo mundo num só lugar, fazendo com que agora roupa suja se lave quase ao vivo e sempre on-line.

Este fenômeno se formou e cresceu na vida pessoal, tornando a vida de todo mundo um verdadeiro “livro aberto” nas redes sociais. Porém recentemente, pós wikileaks, o fenômeno começou a migração para o mundo institucional, o mundo da notícia.

Saiu do “o que eu estou pensando agora ? ” e passou a ser “olha o que está acontecendo agora!”... “olha o que eu estou vendo agora..”.

Este foi o estopim para uma onda de críticas: da mesma forma como o Rádio tornou o jornal de papel atrasado, a internet acabou com o caráter bombástico dos telejornais. Agora a notícia social ameaça acabar com a imprensa. Nada anormal para uma ferramenta de comunicação que atinge milhões de pessoas instantaneamente, sendo somada a eterna crise de identidade e credibilidade do jornalismo.

A briga está apenas começando, e já adianto que não tem certo ou errado, há apenas o fato.

Pressionado por anos de controle das informações e por anos de serviços a interesses poucas vezes parciais, o jornalismo tradicional, aquele que checa as fontes, a veracidade e a consistência das informações, formatando-as para serem então divulgadas, está em cheque. Não há mais tempo para uma editoria trabalhar adequadamente. Com a velocidade da internet, nem revisão ortográfica  estão fazendo adequadamente. Enquanto alguns tentam entender, editar e preparar as informações, outros já publicaram nos blogs, canais do youtube e similares faz tempo.

E isto é bom, certo? Certo, ‘pero no mucho’. Não defendo a manipulação da informação e muito menos a parcialidade, mas não abro mão de opiniões estruturadas e bem argumentadas.

É impossível falar em produção de qualquer tipo de conteúdo sem pensar na pessoa que o produz, logo tudo tem um ‘quê’ de parcialidade, é natural supor que um texto de um colunista é sim fruto de seus anseios, conflitos, sonhos e frustrações, tem que ser assim.

E isto vale também para as publicações mais brutas, como as da Midia Ninja, vindas de uma câmera de um celular, que chegou onde a TV não chega, porém ainda assim tem um viés de quem a registra, mesmo sendo inéditas e ousadas, ainda são imagens que dependem do ângulo do seu Ninja Repórter, ou seja, quem me garante que o fato mesmo não estava na tomada mais a direita?

Na minha opinião, um mais do mesmo, que se não se cuidar vai trilhar o caminho, como os primeiros produtos da China que chegaram ao ‘ocidente’, invadiram o mercado, deixaram todos perplexos, e sumiram na mesma onda quando percebemos que tinham qualidade de quinta categoria.

Informação não é dado, dado qualquer um registra, informação de conteúdo, apenas alguns conseguem dar.

Se não houver um ponto de equilíbrio, esta nova midia, sem regras e livre, vai significar a mumaba chinesa do mercado de consumo. Começa interessante e ousado, e termina como algo sem apelo, incapaz de dizer a que veio.

Dizem os matemáticos que o Zero e o Infinito andam lado a lado o tempo todo, e pensando assim será que “informação livre e ‘infinita’ pode siginificar ‘zero’ entendimento e opinião..”.

Um comentário:

MY. disse...

Certa vez lí algo assim: "crítica sem consistência, leitura vazia..." acho que seria mais ou menos isso o resumo da ópera não é?